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Qualquer coisa...
As piores frases da publicidade
Na categoria mídia impressa: “A frente é tão bonita que melhora o design do motorista” (Que beleza, reforçar a idéia que as pessoas ficam melhores – ou mais atraentes – quanto têm um determinado automóvel. É ótimo pra sociedade pensar assim).
Na categoria anúncio de rádio: “Já pensou, uma São Paulo sem muros? Está nascendo um bairro privativo...” (Isto é, cercado de muros.)
Na categoria televisão: “Eu quero fazer cocô na casa do Pedrinho!” (No código auto-regulamentação da publicidade, não existe nenhuma recomendação quanto ao limite máximo para as repetições de determinado anúncio?)
Escrito por Soninha às 21h36
Teste de memória (e geografia)
Em um episódio de “Friends”, Chandler propõe uma brincadeira: escrever o nome dos 50 estados dos Estados Unidos. Joey, o mais burrinho, tira de letra: em instantes, aparece com quase 60 nomes... Ross, o mais “cabeção” (ele é paleontólogo), sorri com superioridade e começa a fazer sua lista. Empaca lá pelo número 46 e entra em desespero quando não consegue descobrir quem falta de jeito nenhum.
A versão brasileira da brincadeira não tem tanta graça – não é difícil pensar nos estados por região e lembrar de todos. Mas essa história me veio na cabeça no fim-de-semana passado, quando cismei de tentar fazer, de cabeça, a lista dos 39 (é, TRINTA E NOVE) municípios que compõem a região metropolitana de São Paulo.
Eu não sabia que eram tantos. Se me perguntassem, eu diria 19, 20, achando que estava chutando alto... Comecei a lista pelo ABC, com uma vantagem: como assinei o Diário do Grande ABC por um tempo, lembrava do caderno Sete Cidades – antes disso, nem tentaria pensar em sete nomes na região, me daria por satisfeita com cinco!
Acabei completando a lista, mas com auxílio externo. Como eu estava em uma palestra/debate sobre o assunto (região metropolitana), várias pessoas participaram com perguntas e comentários, e quando se apresentavam me “socorriam” sem querer: “Boa tarde, eu sou de ....” (não vou falar aqui para não dar moleza!).
E aí, quer tentar? Depois nos diga quantos nomes você conseguiu. Daqui a dois dias, publico a lista (para quem não for impaciente o suficiente para procurar no Google).
***
PS: Eu quase dei uma de Joey. Já ia escrevendo “Paranapiacaba”, quando lembrei que é distrito de Santo André...
PS2: Eu DEI uma de Joey. Acabei de conferir a lista na Wikipedia e descobri dois municípios que não estavam na minha lista! Agora tenho de ver quais foram os que incluí que não fazem parte. Afe.
PS3: Já não está fácil arrumar tempo para escrever no blog, e a internet da minha casa está dando pau DIRETO.
Escrito por Soninha às 09h08
Pra não dizer que eu nunca mais escrevi
Não sei qual é minha kriptonita, sei que ando cansada além das medidas. Ou é simplesmente uma questão de efeito retardado – em um dia normal, tenho 6 ou 7 compromissos diferentes, quase todos cansativos, alguns muito tensos, desgastantes, etc., em lugares diferentes, espalhados ao longo de 14 horas de trabalho (tipo 8:00 às 22:00) quase sem intervalo. Em um dia anormal, tenho 3 ou 4 compromissos e chego em casa mais cedo – absolutamente inutilizada. Tenho tempo para blogar, mas energia nenhuma.
Como não agüento mais essa distância do blog, a auto-pressão (“Escreve! Escreve!”), vou aproveitar um dos meus muitos rascunhos guardados no computador. Não preciso de muito esforço e aproveito e mando um arquivo para a lixeira...
Sem procurar muito, achei este “recorte”: uma carta escrita para a revista “Small Businessess” (Pequenos Negócios), publicada nos Estados Unidos há cerca de três meses. Uma coisa de louco.
The Wrong Wine Country
While Argentine wine may have great potential, the country’s politics are frightening. The lack of “law” in Argentine should scare any investors from putting 10 cents there. As a civil war brews, and Venezuelan President Hugo Chavez uses his oil money to disrupt, destabilize and buy off the Argentine “government”, one can only assume the worst for Argentina’s future. Sorry, guys: I love great red wine, but Argentine wine won’t pass my lips.
ROBERT HANAFIN Jr
President
Onyx Insurance
Binghamton, New York
(Tradução tosca: O País do Vinho Errado
Ao mesmo tempo que o vinho argentino pode ter grande potencial, a política do país dá medo. A falta de “lei” na Argentina deveria afugentar qualquer investidor que quisesse aplicar 10 centavos ali. À medida que uma guerra civil é fermentada, e o Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, usa o dinheiro do petróleo para perturbar., desestabilizar e comprar o “governo” argentino, só se pode esperar o pior para o futuro da Argentina. Desculpem: eu adoro um bom vinho tinto, mas o vinho argentino não vai passar pelos meus lábios”.)
Não é uma barbaridade? Para o bem da companhia de seguros que ele preside, é bom que a empresa tenha um nível de informação melhor do que o dele. Que mixórdia!
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Por falar em nível de informação e mixórdia, ainda vou voltar a escrever sobre o Tibete... Nossa, tenho lido citações de “tibetólogos” que lembram alguns “brasilianistas” daqueles que pensam que a Amazônia é no Rio de Janeiro. Tem gente, por exemplo, falando em budismo e castas – um tem tanto a ver com o outro quanto o catolicismo e a burka das afegãs. Um livro afirma que o budismo se estabeleceu no Tibete no século XVIII – errou por 10 séculos! E por aí vai...
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Totalmente off-topic – Nossa, que jogo horroroso esse no Morumbi. Como disse outro dia um espectador da ESPN (falando especificamente sobre o Fabio Santos), “cada enxadada, uma minhoca”. É só cacetada, na bola e nos adversários. Brrrr.
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Off-topic 2 - Como tem comercial achando graça em cafajestagem... O novo das Havaianas, por exemplo, com o senhorzinho que quer ver a perseguida (como dizia minha falecida avó honorária) da Juliana Paes. Coisa mais feia.
Ah, sim, e o da Skol, com o noivo olhando para a bunda de outra moça. Homem ainda acha essas piadas velhas engraçadas?
Escrito por Soninha às 22h46
Quinta à noite na ZO-SP (Zona Oeste de São Paulo)
Cena 1
Por volta das 23:00, um sobrinho do Lula espera o ônibus para casa junto com alguns colegas de trabalho, com cara de exausto.
É, um sobrinho do presidente Lula. Filho de um irmão dele.
Quantas centenas de pessoas passaram por ele sem jamais imaginar?
Imaginemos nós como será ter um pai, irmão, tio, conhecido por milhões.
E andar por aí no meio da multidão.
Ver adesivos nos carros exibindo a mão com um dedo a menos; ouvir xingarem o irmão do seu pai de imbecil, cretino, idiota. Enquanto outras pessoas, como várias que conheci, o amam até as lágrimas. Lembram-se de não sei que episódio longínquo dos anos 80, quanto estiveram juntos em algum boteco, porta de fábrica, passeata, biboca, e garantem, com seu sorriso desdentado: “Ele é meu amigo”.
E o cara continua sendo seu tio.
Cena 2
Uma menina, uma senhora, outra senhora. Todas passeando com seus cachorrinhos e cachorrões; todas com saquinhos plásticos para recolher a sujeira. Às vezes tenho orgulho da vizinhança!
Cena 3
Em um boteco daqueles cujo charme é a total falta de charme, com legítimo ar fuleiro, todos os homens de pé, copos de cerveja na mão, fixados em algum ponto à meia altura que só pode ser uma televisão. “Ué, a essa hora não tem jogo!”. Não consigo ver o que está passando. Chegando em casa, fico sabendo: “É a prova do líder do Big Brother”.
Santo fascínio, Batman! Até eles!
(A mim não conseguiram interessar. Em nenhuma edição)
Escrito por Soninha às 10h25
Momentos da Vida
Momentos de Pane - 1
Uma mulher vinha pela calçada com um boxer, se não me engano. Era um cachorro grande, babão, com cara feia mas ar de bonzinho. Ele embicou na minha direção e eu achei até legal – eu gosto de cachorro. Mas a dona, preocupada, puxou a correia e não deixou ele chegar muito perto.
Eu sorri e fiz um gesto de “não precisa”. E, naquele segundo, quis dizer “não se preocupe”, mas também pensei em “não me importo”. Resultado: saiu um “n'-s'-pó”. Nem uma frase, nem outra; nenhuma palavra inteira.
A mulher entendeu o que eu quis dizer e nem ouviu a barbaridade que saiu da minha boca. Mas se ouvisse, seria ridículo.
Momentos de Pane – 2
Encontrei antigos colegas de MTV na frente de um boteco na Alfonso Bovero. “Senta aí, toma uma cerveja com a gente”. “Não, preciso ver o futebol”. “Quem joga?”. Pronto – não lembrava o nome do adversário do Corinthians, nem do Cruzeiro, muito menos do Grêmio, do Flamengo, de ninguém. Resposta verdadeira: “Todo mundo. E eu tenho de ver um pouco de tudo”. Mas fiquei pensando que eles devem ter me achado meio esquisita, e o pior é que têm razão.
Momentos de Quebrar a Cara
Um outro cachorro tinha cara de bravo, e eu já fiquei alerta. Ele estava com coleira, mas o dono também parecia bravo. Brrr. Logo imaginei um cão de briga, criado para ser nervoso.
No mesmo instante, o dono abriu o sorriso mais gentil possível: “Soninha?”.
No mesmo instante, me dei conta de que eu vivo andando por aí com cara de brava, testa franzida, maxilares apertados, com jeito mesmo de quem está prestes a soltar os cachorros ou morder alguém. Tsc, tsc.
Escrito por Soninha às 23h18
Sábado à noite
O filme que eu queria ver estava passando em bom horário no cinema que eu adoro, o Reserva Cultural – o café é gostoso (apesar de ser tudo caro...), a livraria é bacana e tem bicicletário ao lado (no estacionamento do vizinho Top Center). Saí de casa meio em cima da hora, prevendo que talvez não desse certo, mas é tão raro poder ir ao cinema que não dava para deixar de tentar. Não li “Reparação”, mas adorei “Na Praia”, do mesmo autor (Ian Mc Ewan). “Desejo e Reparação”, o nome que deram ao filme (por que, hein? Não podiam manter o título original?), começava às 19:20. Cheguei à bilheteria às 19:10 e saí às 19:30... Meia hora de fila, que nem estava assim tão grande! O atendimento é muuuito lento. Devem ser as maquininhas de cartão de débito e crédito. Mas podiam dar um jeito de atender o próximo enquanto elas processam (se é que é esse mesmo o problema). Em cima dos caixas tem um monitor que passa de tudo: sinopses dos filmes que estréiam no fim do mês, informações sobre febre amarela e a notícia de que talvez cerveja não dê barriga, apesar de ser uma bebida muito calórica. Só não informa os filmes em cartaz e se ainda tem ingresso para a próxima sessão... Resultado: um monte de gente chega lá na frente e descobre que seu filme já era. Talvez seja demorado por isso também – neguin’ fica escolhendo outro filme ali na hora, como eu acabei fazendo. Sim, perdi a primeira escolha e fiquei com “Em Paris”, que começava às oito. O ingresso combina com o preço dos salgados: 18 reais! Mama mia. Tô ficando cada vez mais neurótica com esse negócio de dinheiro. Fiquei remoendo: comprando uma inteira e uma meia, você gastaria 27 reais. Será que se não houvesse a meia entrada todo mundo pagaria R$13,50? Seria melhorzinho, não seria? (Uma vez um dono de casa noturna defendeu meia entrada para todo mundo: estudantes, professores, desempregados, servidores públicos, idosos, pessoas com deficiência, obesos, pacientes em tratamento de doenças crônicas, turistas, moradores do bairro, sócios, que viesse com camisa de time de futebol... De tal jeito que no fim houvesse um preço para todos, e mais barato do que a inteira de hoje). Pelo menos o bicicletário é baratinho: R$2,00, sem limite de tempo. Como minha noite já não estava uma maravilha, não gostei do filme, não. Achei muito afetado, do tipo “olha que estilo ousado, que linguagem anti-convencional, que personagens densos...”. Ele tem qualidades – como mostrar uma Paris que não é linda e charmosa o tempo todo, e chega a parecer mais uma cidade grande sem graça, às vezes. Tem cenas divertidas e algumas interpretações muito boas (adorei a mãe e o pai), e achei que foi ficando mais consistente e menos forçado com o tempo. Talvez eu tivesse simpatizado mais ele em outro dia, mas hoje fiquei meio impaciente. Bom, ao menos da trilha eu gostei bastante. Nos minutos finais, eu já estava com preguiça de pensar em pedalar até em casa. Na ida, peguei metrô entre Sumaré e Consolação, mas bicicleta só entra montada até as oito. Fui com a dobrável, mas nem pensei em levar a sacola que é obrigatória -- embora às vezes eles deixem passar, não quis arriscar. Mas assim que saí do bicicletário, fiquei feliz da vida por estar “a pedal” – enquanto eu já estava na esquina com a Campinas, os carros ainda estavam em fila para sair do estacionamento... Curioso foi levar exatamente o mesmo tempo na ida e na volta – primeiro, 15 minutos até o metrô (ladeira acima...) + 10 até o cinema. Na volta, um pouco menos de 25, só na pedalada. Foi gostoso, a noite estava boa para ficar ao ar livre (começou a relampear agora), mas infelizmente é tenso. Eu confesso que não tenho coragem de andar o tempo todo pela rua e às vezes apelo e vou pela calçada – devagar, pedindo licença para os pedestres, passando longe das portas. Que pena que seja assim – ainda. Boto fé que um dia a gente vai melhorar muito as condições para as bicicletas circularem pela cidade toda (já estão melhorando), com centenas de quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclo-rotas -- a um custo equivalente a décimos de milésimos de uma alça de acesso da ponte estaiada.
Escrito por Soninha às 22h51
Essas meninas
6:40. Vontade de dormir mais. A noite foi curta e desconfortável (frio, calor). Cheguei de madrugada e só encontrei a mala estacionada na porta da sala. A maior mala da casa; a Julia poderia estar dentro (caberia). Mas só havia as roupas que ela cuidadosamente havia separado desde domingo, conferindo infinitas vezes a lista enviada pelo acampamento (roupas de baixo: uma por dia + 2, etc.).
Às 6:40 a Julia já estava de pé há sabe lá quanto tempo, vestida e alerta. A tentação de ficar na cama me segurava pelos braços e cabelos (a cabeça pesava). "E se eu a acompanhasse até o elevador, como sempre, e voltasse para dormir mais um pouco?". Mas a ameaça de remorso me chutou para fora do colchão: "Ela vai ficar fora 3 dias e você nem a viu acordada ontem à noite!".
Vesti o agasalho e cumpri o combinado: fui junto na perua até a escola. Eu, ela e a mala. Que um colega menor que ela(s) não perdoou ("Nossa, Julia! Vai passar uma semana?"). Descemos na porta do colégio e ela saiu correndo: "Iiiiiisaaaaaa!". Isabela, uma das melhores amigas. Arrastamos juntas a mala até o ônibus. "Mãe, esse é o telefone do acampamento. Se precisar...". "Ah, não vou ligar não. Se você quiser, você me liga". Abriu um largo sorriso agradecido. E correu pra dentro da escola, totalmente alheia à idéia de me dar tchau da janelinha do ônibus.
Em menos de 5 minutos, terminou a operação despedida. "Vai voltar pra casa?" o motorista da perua ofereceu carona e o veredicto solidário de quem carrega essa turma todo dia: "Essas meninas são assim. Independentes". (Escrito ontem, 12/12).
Escrito por Soninha às 16h17
Pequena viajada doméstica
Pequena viajada doméstica
Não sei se já contei isso antes, mas eu tenho um SRD. Parece nome de carro ou aparelho de som, mas é marca de cachorro: Sem Raça Definida. Ele é, como era moda dizer uns tempos atrás, “eclético”: manchas de dálmata, corpo de beagle e orelhas pontudas de pastor alemão. Mas o charme inexplicável é a mancha estilo pirata no olho esquerdo. O bicho é uma figura. Se acha muito esperto: toda vez que toca o interfone na cozinha, vai latir na porta da sala, deduzindo que está chegando alguém. Não adianta explicar que o porteiro só ligou para avisar que vai faltar água: ele não acredita. No último sábado, o Dub – o nome é a versão “jamaicana” do clássico infantil “O Cachorrinho Samba” -- ficou sozinho quase o dia todo, porque passei o fim-de-semana em um templo budista em Cotia (não aquele mais famoso, o Zu Lai, mas o Odsal Ling, recém-construído, do outro lado da Raposo Tavares). Pedi para um amigo vir visitá-lo no fim da tarde; ainda bem que ele veio – segundo a vizinha da frente, Dub latiu pra burr... Pra cachorro. Pobrezinhos (o cachorro e os vizinhos). Além de fazer várias cenas dramáticas na frente das visitas, como ganir diante da porta fechada do meu quarto como se tivesse um cadáver dentro do armário (entrou, deu umas voltas e saiu sem explicar o que tanto ele queria ali dentro), Dub demonstrou que “a gente não quer só comida”. Quando saí de manhã, deixei o café e o almoço servidos na sua tigela. Sei que não é o ideal, mas fazer o que? Eu também vivo comendo pão de ontem e sucrilhos murchos e tudo bem. Ração um pouquinho menos crocante não faria mal nenhum. E sempre é melhor que controles remotos e outras iguarias que ele ataca se a gente bobear. Estabelecida a comunicação com meu amigo Ronaldo e a namorada, Dub chorou pedindo comida. Olhava para o pote de ração em cima da pia e pulava, rodopiava, chorava. Não adiantava apontar a tigela cheia – era como se não existisse. Sem dar muito o braço a torcer, o Ronaldo pegou 3 grãozinhos e jogou por cima da ração já servida. Aí sim – o Dub foi lá todo feliz e comeu tudo. Ele queria atenção, mais do que ração! (E quem não quer?) Eu sei que o mundo se divide entre “os que gostam de cães” e “os que gostam de gatos”. Nunca tive um gato, mas gostaria. Já conheci uns maluquinhos, bem divertidos. Mas eu acho cachorros o máximo; se pudesse, adotaria mais dois ou três. Quem sabe no dia em que voltar a morar em uma casa com quintal... Devia ter cachorro em tudo quanto é abrigo, asilo, centro de refugiados, etc. Garantidas as condições de higiene e sustento para os bichos -- tem abrigo que não cuida direito nem de gente... -- eles seriam excelente companhia para os humanos carentes, sozinhos, fragilizados, deprimidos. E vice-versa. Cães adoram ter alguém pra conversar.
Escrito por Soninha às 22h50
Belo modo de passar a noite
Belo modo de passar a noite
Sonhei
que o Eurico Miranda tinha anunciado uma nova estratégia para o time de basquete
do Vasco: oferecer dinheiro aos adversários para inverter o mando das partidas e
jogar em casa quando deveria ser visitante. Claro que a idéia causou polêmica.
Pode, não pode, é lícito, é anti-ético, o regulamento é omisso... As pessoas
davam opinião na televisão: “Se o adversário aceitar, o que é que tem?”. “Não
pode. Assim, o poder econômico desequilibra a favor de um dos competidores”. Ao
que alguém do clube respondia: “O fator econômico sempre desequilibra. Quem tem
mais dinheiro contrata os melhores jogadores, tem a melhor
estrutura...”.
Eurico foi pessoalmente a um debate do qual eu também participei – no SOS
Mata Atlântica. Eu reparei que ele estava mais magro, mais enxuto. Ao redor de
uma mesa muito comprida, havia umas vinte pessoas, na maioria meninas, todas do
SOS. Comentei com alguém: “Olha só: TODAS usam maria-chiquinha”. Achei mau
sinal.
(Deve ser reflexo da implicância com a minha franja...)
Durante o debate, o mediador leu um post sobre o tema no blog do Tostão.
Numa mistura de Juca Kfouri e Luis Nassif, ele publicava comentários de leitores
e leitoras chamando atenção para os aspectos legais do negócio: “Há um conflito
de jurisdição. Existe uma lacuna que permite que uns entendam que é a Justiça
Estadual quem tem de se pronunciar, e outros, com bons argumentos, que a disputa
tem de ser resolvida em nível federal. Por isso, em caso de recurso à Justiça,
pode haver até paralisação do campeonato enquanto não se resolve o assunto”.
Misericórdia. Não tinha nada melhor pra sonhar?
Escrito por Soninha às 10h36
Não aprendo
Ontem ouvi uma entrevista na CBN com a Maria Adelaide Amaral (dramaturga, autora de várias peças de teatro, novelas e minisséries). Muito simpática. A certa altura, a repórter perguntou o que a irrita. “Gente folgada”. Bingo! Ela deu exemplos: “Quem para em fila dupla, atrapalha todo mundo e ainda acha que tem razão... Quem sai para passear com o cachorro e não recolhe a sujeira...”.
Tem razão, gente folgada me irrita muito. Quem fica sentado no ônibus enquanto um velhinho está de pé e nem dá bola... Quem corre pelo acostamento e depois joga o carro para cima de quem ficou na pista... Quem trata mal porteiros, garçons, empregados.
Lembrei da entrevista em uma hora em que eu estava muito irritada, mas o motivo era muito outro. Revirava a bolsa atrás da chave de casa. Milionésima vez. E pensei que nada nesse mundo me irrita tanto quanto eu mesma.
Escrito por Soninha às 16h54
Acabo de ver, no Cultura Meio-Dia (jornal da TV Cultura www.tvcultura.com.br), que
estima-se que haja 62 milhões de blogs no mundo. Milhares são criados todos os
dias. “Quem lê tanta notícia?”, cantaria Emanuel Viana, uns 40 anos atrás.
**********
Por que tem umas bobagens que a gente escuta uma vez
e nunca mais esquece? Em algum ponto distante do século passado, Sonia Braga deu
uma entrevista dizendo que ela só chamava Caetano Emanuel Viana Teles Veloso
pelos nomes do meio, e ele, em troca, só a chamava de Maria Campos. Por motivos
insondáveis, essa informação ficou retida e volta e meia me ocorre.
*************
Adoro chamar as pessoas pelo nome que normalmente
não é usado -- dirigir-me ao Belluzzo, por exemplo, (economista e escritor,
“tornou-se professor titular da UNICAMP em 86, foi Secretário da Ciência e
Tecnologia do Estado de São Paulo, é sócio e ensaísta da Carta Capital”, ganhou
o Troféu Juca Pato de “Intelectual do Ano” em 2005 e, entre várias outras coisas
importantes, foi candidato à presidência do Palmeiras pelo bloco de oposição a
Mustafá Contursi), como “Luiz Gonzaga”. Às vezes me pergunto se foi essa
história de Emanuel e Maria que me
influenciou.
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Voltando aos blogs: em novembro fui
jurada do The Bobs, concurso de blogs promovido pelo grupo de mídia alemão
Deutsche Welle (http://www.dw-world.de/dw/0,,607,00.html).
Na cerimônia de premiação, houve um pequeno debate com a platéia, e um dos
presentes perguntou justamente “quem lê tanto blog”. A primeira resposta que
apareceu foi: blogueiros. É verdade. Quem tem um blog tem mais interesse,
curiosidade, “disponibilidade” para navegar na blogosfera. Mas o universo dos
blogueiros é composto por deus e o mundo: jornalistas, estudantes, políticos,
cronistas profissionais e amadores, músicos, ativistas de tudo quanto é causa,
donas-de-casa, taxistas... Uma das graças do “fenômeno blog” é justamente a de
transformar consumidores de notícias e de comentários em produtores e
divulgadores dos próprios. E quem produz consome. É como na cultura e esporte: é
consenso que se precisa formar público para teatro, cinema, dança &
atletismo, basquete, vôlei para formar artistas/ atletas. E vice-versa: se você
pratica um esporte, naturalmente terá mais interesse em assitir uma competição.
Se dança, quer ver um espetáculo. Quem escreve lê...
*************
Já viajei o suficiente por hoje. No próximo post eu volto com alguma
coisa mais útil. Ou não, como diria Emanuel.
Escrito por Soninha às 13h05
O caos e a suspeita ocasional de que exista uma ordem
Por que bibliotecas?
Eu queria responder à pergunta: de onde vem nosso otimismo de pensar que algo tão caótico como o universo pode ter a ordem que os livros pretendem lhe dar? Nós acreditamos que os livros contêm o que sabemos sobre o mundo. Mas o que sabemos é que ele não tem sentido e que a ordem do universo é, para nós, equivalente ao caos. Então por que continuamos a escrever livros?
Segundo sua explicação, as bibliotecas funcionariam como uma defesa inconsciente do homem diante do caos do conhecimento.
Sim e, além disso, uma defesa contra o esquecimento. A biblioteca que nos parece organizada também é um caos. É um caos no qual, às vezes, podemos suspeitar que existe uma ordem.
(Alberto Manguel, "escritor argentino-canadense”, autor de "Uma História da Leitura" e "Os livros e os Dias")em entrevista a Sylvia Colombo na Folha de 30 de agosto, por ocasião do lançamento de seu livro “A Biblioteca à Noite”).
(Se uma biblioteca é um caos, imagine pilhas e pilhas desorganizadas de jornais velhos. É o supra sumo da desordem do universo e da vida).
Escrito por Soninha às 18h38
Aula de budismo
“Às vezes nós dizemos “para ser feliz, não posso ter ninguém me perturbando”.
Qual é a chance disso dar certo?
Segundo me dizem, vivem em São Paulo 20 milhões de pessoas. Como coabitar com 20 milhões?? Não é possível se livrar delas... Pedir que saiam, mandar pra outro lugar. O jeito é você não se deixar perturbar por elas. É desenvolver o amor e a bondade, com os quais vêm a paciência, a coragem, o bem-estar. Esta não é uma idéia religiosa maluca, e sim uma idéia razoável. É o único jeito”.
Trecho (meio mal resumido, temo) da palestra de um mestre de budismo tibetano ontem, em São Paulo. Como já disse antes, algumas idéias no budismo são bem extravagantes para nossos padrões – como a de que se deve dar mais importância para o outro do que para si mesmo; outras nos parecem puro bom senso. Acho que a recomendação acima tem um pouco das duas coisas. Mais adiante, ele diria que o investimento em um coração puro não tem contra-indicações – é grátis. Só depende de nós. Somos totalmente livres para fazê-lo. Os resultados são todos positivos.
Quando você lê algo assim sem envolvimento algum, soa bobo, piegas, ingênuo, otimista demais. Mas quando “bate”, quando faz sentido e você decide aplicar o método – é um método – funciona que é uma beleza.
Já funcionou muito em mim; ando meio relapsa na minha prática. Preciso voltar pra escola...
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PS: Entrei na internet para confirmar a grafia do nome do mestre - Jigme Khyentse Rinpoche – e encontrei a transcrição (em inglês) de uma palestra que deu em Helsinki (!) em 2001. Nunca vou deixar de me assombrar com o Google.
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PS 2: "Aula de budismo" é um jeito meio desajeitado de se referir ao evento. Geralmente a gente diz "ensinamento budista", ou "ensinamento do Dharma" (nome que se dá à doutrina). Lembro quando meu marido -- na época, meu "pretê", como dizem as meninas do 2 neurônio -- perguntou, na saída de um show dos Ratos de Porão (!): "Quer ir num ensinamento do Dharma?". Pensei: "Ensinamento "d'arma"? Desde quando ele se interessa por arma??". Roteirista de sitcom não faria melhor...
Escrito por Soninha às 08h46
Pra tirar o mofo
Sonhando com uns dias viajando a passeio – viajar a trabalho pode ser muito bom, mas passear é outra história – saí navegando (na internet...) e caí nas páginas de “barbadas” e “roubadas” do site O Viajante, que são muito legais, muito úteis. Normalmente me divirto com as dicas, mas não no meu atual estado -- as barbadas não me animam porque não tenho muitas perspectivas de usufruir delas; as roubadas desanimam porque falam de tantas malandragens, má-vontades e desonestidades que bate de novo aquela sensação de “mas será que a gente não tem jeito?”.
Está me faltando paciência, disposição e senso de humor, que faz a maior diferença do mundo... Acho que eu preciso MESMO viajar. Ainda que eu saiba que viagem é “falso refúgio”, quer dizer, não vai resolver meus problemas. Mas quem sabe um pouco de sol não tira o mofo do meu ânimo? Não queria escrever nada tão sem sal, tão sem alma, mas também não queria passar mais algumas horas sem postar nada. Vou dar uma volta com a minha filha e ver se melhoro mais tarde. (Ela quer ir ao Salão do Automóvel; eu prefiria a feira orgânica do Parque da Água Branca... À mesa de negociações!)
Escrito por Soninha às 09h14
Bobagem de praia
Você sabe que está ficando velho quando...
* Não tem vontade de entrar no mar porque “a água está fria”.
* Acaba entrando, mas sai do mar se sentindo grudento e não vê a hora de tomar um banho.
(Quando eu era mais nova, não deixaria de entrar na água mesmo que houvesse pedaços de gelo boiando, e podia passar o dia inteiro com o cabelo duro e o corpo cheio de areia e sal que não me incomodaria nada. Ah, a juventude...)
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Três posts abaixo deste está um texto que, assim como esta bobagem, eu tinha rascunhado dias atrás, mas só consegui publicar agora. Porque estava sem internet etc. etc.
Escrito por Soninha às 21h35
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