Blog da Soninha
Blog da Soninha
 

Para lembrar de maio de 2006

Uma morte violenta choca. E 493?

Hoje, às sete da noite, vai haver uma manifestação em frente à sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, de jovens de diversas regiões de periferia da cidade.

O II Ato em Defesa da Vida vai lembrar, com um velório simbólico, as 493 vítimas do episódio conhecido como "Crimes de Maio". Uma onda de ataques do crime organizado que provocou uma guerra, sem precedentes na cidade, onde as principais vítimas foram os jovens – 475 (96,3% dos casos) eram pessoas entre 21 e 31 anos, segundo o CREMESP.

'493 caixões representarão os mortos deste triste episódio, os jovens que morrem "anonimamente" na periferia e os direitos da juventude enterrados pelo descaso do poder público. Parentes das vítimas também estarão no velório”, informam os organizadores.

Passados dois anos, poucos casos foram esclarecidos e quase nenhum dos culpados foi punido.

Há uma carta aberta e manifesto sobre o tema no www.comunidadecidada.org.br

Escrito por Soninha às 17h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Atraso"

Com a saída da ministra Marina Silva, as diferentes idéias sobre a Amazônia têm vindo à tona

com mais destaque nos últimos dias.

 

Acho inacreditável que ainda se fale, no Brasil, do meio ambiente como adversário do desenvolvimento. Da preocupação ambiental como entrave para o crescimento econômico. É, deve ser por isso que a Alemanha está naquele atraso, naquela miséria, coitadinha...

 

“Ah, mas os europeus destruíram as florestas deles [e as nossas, é verdade] e agora vêm encher o saco para preservar as dos outros”. Os europeus que destruíram as florestas morreram faz tempo; os que estão lá agora sabem muito bem o quanto isso é desastroso e querem salvar as que sobraram. Florestas, rios, espécies vegetais e animais – inclusive os humanos.

 

A preocupação com o meio ambiente não é fundamental apenas para garantir que nós possamos continuar tendo os recursos necessários para a sobrevivência; ela é um motor na direção da máxima eficiência (econômica inclusive!). Se você é capaz de produzir alguma coisa consumindo menos matéria-prima, água e energia, melhor (alguém discorda??). Se pode usar as folhas, frutos e sementes por várias gerações em vez de consumir a madeira uma vez e perder o resto para sempre, qual alternativa vai escolher? Se puder fazer com que todo o resíduo resultante da produção seja reaproveitado, por que não fazê-lo?

 

Mas aqui a “modernidade” quer pensar como o explorador português do século XVI – derruba, devasta, consome e acabou. Tem tanto! E como esse jeito de agir deu super certo – olha como somos um país rico, bem-sucedido e equilibrado – tem mais é que continuar fazendo assim mesmo.

 

Minha bisavó portuguesa tinha um pouco dessa mentalidade. Tinha horror de “mato”; da “sujeira” das folhas caídas. Comprou uma casa em Agenor de Campos (litoral de São Paulo) e imediatamente mandou cortar os magníficos chapéus-de-sol que ocupavam quase todo o terreno. Resultado: areia fervendo e uma casa que parecia uma estufa.

 

Mas isso foi a minha bisavó. A minha avó, portuguesa também, já tinha outro jeito de ver o mundo, e cultivava plantas com um amor que foi uma das melhores coisas que ela deixou para mim (e olha que foram muitas). Ou seja: na metade do século passado, ela já tinha outro jeito de ver o mundo.

 

Um dia a gente aprende. O problema é que se demorar muito, não adianta mais.

Escrito por Soninha às 09h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terremoto

Um luto que a gente não consegue nem imaginar.

 

Quando uma escola desaba e morrem centenas de crianças, você vai ter de lidar com a morte de filhos, sobrinhos, enteados, netos, dos amigos do seu filho, dos filhos dos amigos... Uma dor avassaladora, só comparável ao peso dos escombros.

 

A cobertura da Globo e da Record tem sido muito boa, graças à competência de seus repórteres – Pedro Bassan, mais de perto, e Catarina Hong, falando do Japão. Ele é cuidadoso, sensível, correto. Relata os fatos com riqueza de informações e observações humanas, sem sensacionalismo – como ao revelar seu espanto com o fato de chegar a um lugar devastado, em que as pessoas estavam em situação de extremo sofrimento e privação, e ser recebido por elas com ofertas de ajuda: “Está com fome? Precisa de alguma coisa?”

Catarina também é sóbria, inteligente, fala de maneira clara e coloquial mas com seriedade e conteúdo. Para ver como é possível falar sobre uma tragédia sem perder o respeito.

Escrito por Soninha às 08h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vontade + confiança

Depois do exemplo de Ronaldo em 2002, agora temos o Adriano-2008 saindo de uma situação terrível, que parecia sem retorno.

 

O problema físico de Adriano não foi no tendão patelar, foi na relação com o álcool. E a fisioterapia para o joelho é dolorosa, cansativa, entediante, mas o tratamento para uso danoso de álcool é mais ainda. Porque ninguém quer ficar manquitolando a vida toda; qualquer um deseja ter um joelho que funcione. Mas quem é que quer deixar de ter prazer, sair à noite, se divertir com os amigos e amigas?

 

Um jogador de sucesso deve se perguntar: “De que adianta eu me matar de trabalhar e ganhar um dinheirão se eu não puder curtir a vida?” O auge da carreira profissional coincide com o máximo vigor da juventude – e as duas coisas são muito curtas (tanto mais curtas quanto mais irresponsável for o sujeito). É preciso ter muita maturidade para segurar a onda. Ou estrutura e apoio – felizmente, acompanhamento psicológico para jogadores de futebol está deixando de ser tabu.

 

Adriano veio para São Paulo para tentar tomar jeito. Perder peso, recuperar a forma física e técnica e a saúde mental. Logo no começo do ano, parecia que o plano tinha fracassado. Atrasos, indisciplina dentro e fora de campo, um carro batido na madrugada por um amigo... Muitos criticaram o São Paulo pelo excesso de pretensão, pelo erro de cálculo.

 

Surpreendentemente, no momento mais desanimador, depois de muito tempo se comportando de maneira humilde (“sou apenas mais um no grupo”), Adriano veio com um discurso arrogante: “Eu sou o Imperador, sim, e quero ser tratado assim”. Foi recebido com compreensível desdém: “Imperador em decadência, isso é o que ele é”. Foi a minha primeira reação também – mas em seguida, tive uma intuição: “É disso que ele precisa agora. Querer ser o tal outra vez. E no futebol, não na balada”.

 

E deu certo. Na quarta-feira, o primeiro tempo de Adriano deve ter sido um dos melhores que ele fez na vida. Recuou, marcou, avançou, fez passes e lançamentos inteligentes e precisos, armou jogadas e apareceu para concluir. Foi sempre perigoso pelo alto e fez um gol por baixo... É forte e vigoroso, mas concluiu com um toque sutil e consciente de pé direito. No momento em que eu pensei “hoje ele é o regente”, o Cléber Machado disse “Adriano está regendo o time!”.

 

Parabéns, Adriano. Pra ver como funciona bem a combinação de vontade e confiança. As duas são decisivas para o máximo exercício da capacidade.

 

***
Por falar nisso, Cabañas, do América do México, é um exemplo da mesma soma de fatores. Gordito, está jogando muito e sendo decisivo para seu time. Ontem ganhou na corrida da defesa do Santos... Vontade, confiança e talento!

 

***

O Santos teve um belo gol do Kleber Pereira incorretamente anulado. Fico louca da vida com essas coisas. O impedimento existe para evitar a banheira, a deslealdade -  foi criado pelos ingleses por não tolerarem a traição em uma batalha. O adversário tem de enfrentar o inimigo de frente, e não esperar para atacá-lo pelas costas.  Mas se ele for rápido e esperto, tudo bem. Não pode ficar parado de tocaia, mas pode se infiltrar de repente.

 

O problema é que, quanto mais rápido e esperto o atacante (e seus colegas de time), maiores as chances de a jogada ser considerada ilegal - incorretamente. Na trama inteligente, o ataque ludibria a defesa e até o bandeira – que pára a jogada como os zagueiros não foram capazes de fazer. Um absurdo.

 

Eu já pensei em alternativas para a regra do impedimento (já que acabar com ele mudaria o futebol por completo). 1) Delimitar uma parte menor do campo em que ele vigoraria – algo como a “linha de três metros” no basquete. O que não mudaria nada nos casos de milímetros e décimos de segundo... 2) Determinar um tempo para o impedimento, como os três segundos no garrafão. Se o cara ficar impedido pelo tempo de um ubatuba-um, ubatuba-dois, ubatuba-três, a jogada não vale. Mas também imagine a confusão que ia dar essa contagem. 3) Para ser gol, a bola tem de passar inteira pela linha de fundo. Para ser impedimento, o corpo todo do jogador deveria estar à frente da defesa! Do jeito que é hoje, se o pé esquerdo estiver 30cm à frente, já é impedimento. Só que ia dar confusão ao contrário: “O calcanhar dele estava ou não estava na linha do penúltimo adversário?” Mesmo assim, haveria menos interrupções incorretas.

 

Em todo caso, hoje eu tive uma certeza que nunca tive antes: agora sou a favor de usar recursos de vídeo em casos como o de ontem no México. Não para todos os lances duvidosos, mas para alguns deles. Digamos que o quarto, ou um quinto árbitro, diante de um monitor de TV, poderia interromper a partida imediatamente e dizer à sua equipe: “Ok, o gol valeu”.

 

Podia ser usado só para casos de dúvidas geográficas, matemáticas. Coisas que dependem de micro-segundos e centímetros. Foi dentro da área? Estava impedido? Poderíamos deixar para lá, ao menos por enquanto, as dúvidas sobre “foi com intenção ou sem intenção” (pênalti, mão na bola, etc.).

Escrito por Soninha às 08h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Vai pensando aí"

Escrito por Soninha às 23h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre o duelo dos verdes (no futebol!)

Eu nunca tive muita esperança de passar pelo Coritiba – mesmo que o jogo fosse em São Paulo. Esse maledetto desse Dorival Jr sempre se dá bem contra a gente. Gosto muito dele, é ótimo técnico... Só não esperava que o Palmeiras fosse jogar tão mal. Que porcaria de jogo. E com as camisas marca-texto, não precisa nem fazer muito esforço para demonstrar, graficamente, os erros de posicionamento do time: acabei de rever os dois gols no Couto Pereira e dá para ver perfeitamente, mesmo que não seja em câmera lenta, a defesa toda “pensa”, torta, desorganizada. Todo mundo no lugar errado. (O que não tira a beleza das jogadas dos donos da casa).

Escrito por Soninha às 13h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Seja bem-vindo - se vier de carro

No sábado, foi inaugurada a ponte Octavio Frias de Oliveira (incrível essa mania brasileira de batizar pontes, túneis, viadutos, com nome de gente...). Eu gostava muito do seu Frias, e nesse caso meu problema não é com o nome – é com a ponte.

 

“Carinhosamente” batizada pelos cicloativistas de “Estilingão”, ela pode servir para criar um atalho viário importante para os automóveis – mas só para eles. Não será usada por ônibus, bicicletas ou pedestres. E é uma obra que custou os tubos e que terá eficácia limitada, porque não adianta resolver um gargalo para o transporte individual motorizado sem investir para valer em alternativas de mobilidade, especialmente em transporte coletivo. E o preço da bendita ponte equivaleria a um trecho de expansão do transporte sobre trilhos, com benefício bem mais significativo e duradouro.

 

No fim, a ponte estaiada virou motivo de orgulho para a cidade. Ok, é bonita. Mas se  era para ser um cartão postal, deviam ter pensado nos pedestres! Quem quiser tirar uma foto da nova “atração turística” da cidade, terá de fazê-lo da janela de um carro em movimento.

Escrito por Soninha às 10h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um pouco mais de Buenos Aires

Olha que idéia legal:



A entrada de uma estação de metrô. Adoro mapas!


Os enfeites do ônibus que nos transportava durante o evento (Encontro de Jovens Políticos).

Escrito por Soninha às 22h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Soninha Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, 40, é vereadora de São Paulo pelo PPS e também colunista da Folha de S.Paulo.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.