Blog da Soninha
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Atendendo a pedidos

Este blog tem, basicamente, duas regras.
Uma foi uma condição imposta pela Folha Online, que o hospeda: que eu não tratasse, aqui, de política partidária e temas afins.
Não é fácil separar o tempo todo -- como é que a gente vai falar de acidente da TAM, por exemplo, e ignorar as implicações políticas do fato e da sua cobertura na imprensa? Idem em relação à Copa no Brasil, violência policial, qualidade da educação... Não dá para expurgar a política de todos os temas. Mas dá para evitar muitas coisas, que eu publico no meu outro blog: gabinetesoninha.zip.net. Mudança de partido, p. ex.? É lá.
A outra regra fui eu que decidi: só veto "baixaria explícita", como alguém escreveu em um comentário. Desvios do assunto do post, os chamados "off-topic"? Publico. Me chamou de maconheira? Não fumo há anos, mas é óbvia a origem da "ofensa"/acusação, e escolher responder a um post meu se expressando dessa maneira tem seu significado (político, inclusive), então publico. Mas se enfileirar meia dúzia de palavrões e obscenidades, não publico. Mesmo sabendo que isso também tem um significado (ofender em vez de discordar...).
Em alguns momentos, já houve quem reclamasse dessa política tão liberal: "Use as suas prerrogativas de editora e publique só o que tem a ver!". Mas eu resisti; quero manter as razões de veto tão restritas quanto possível, para não correr o risco de incorrer em mil casuísmos ("esse comentário fugiu do assunto mas é legal; esse não é"). Casuísmos aos quais eu teria direito -- este é o MEU blog, afinal, e eu posso editá-lo como quiser -- mas prefiro não.
Só me resta, então, pedir. Aos que sempre comentam os posts como se estivessem blogando, isto é, escrevendo textos que defendem e propagam suas idéias e que não têm necessariamente nada a ver com os meus próprios posts: maneirem! Não quero podá-los; não quero decidir qual comentário é bom e qual é ruim. Quero preservar a sanidade e civilidade do ambiente... E manter uma distribuição mais equilibrada de espaço por aqui. Quando os comentários de um post viram uma discussão entre duas ou três pessoas, o leitor desinteressado dela pode ficar de saco cheio no meio do caminho e nem chegar a ler os outros – que talvez lhe interessassem...
Podemos combinar, então, que cada um escreve UM comentário só por post, a menos que seja absolutamente necessário complementar depois? E que os comentários serão, de preferência, relacionados a alguma coisa que eu tenha escrito?
Qual é a pena para quem não atender? Por enquanto, não tem. Mas pode ser que eu acabe transformando isso em nova regra – a do critério matemático. Acho que não vai precisar...

Escrito por Soninha às 13h24

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Sobre rodas, pernas e motores

Parece mentira.

Anteontem, fiz de carro um trajeto que me acostumei a fazer de bicicleta.

Pedalando na boa, encarando a subida da Barão de Limeira (que é tão suave que só se percebe na bicicleta) com paciência, sem forçar a perna nem perder o fôlego, levo meia hora.

Adivinha quanto tempo levei de carro.

MAIS de meia hora.

E não estava curtindo a paisagem e vencendo a distância. Estava me arrastando, parando em um semáforo a cada vinte metros, assistindo o sinal abrir e fechar sem conseguir passar. Irritada ao absurdo.

De ônibus, mesmo descontando a espera no ponto, as paradas no caminho e a distância do ponto final ao meu destino, eu teria chegado antes.

De táxi também (porque ele pode pegar o corredor de ônibus e me deixar na porta), mas táxi sai caro. Segunda-feira, peguei 3 táxis (Pompéia – Ibirapuera, Ibirapuera – Bela Vista, Bela Vista – Sumaré), todos na bandeira 1 (preço normal), e gastei mais de 60 reais! Absurdo.

Não saí de bicicleta nesse dia porque estava chovendo e era longe para mim. No dia seguinte, ela nem estava comigo (emprestei para um amigo). De todo jeito, com a minha agenda apertada e sortida (quatro ou cinco compromissos por dia em lugares diferentes), não estou conseguindo dar conta sem duas rodas motorizadas. Olho para motos morrendo de inveja, como nos tempos em que ia de Santana à USP de ônibus.

Estou pensando seriamente em comprar um ciclomotor elétrico. Custa metade de uma moto nova. Tem suas complicações - preciso de uma tomada para carregar a bateria, e a garagem do meu prédio não tem; não é tão possante quanto a moto - mas tem vantagens incríveis: não solta fumaça e faz zero barulho. É até perigoso no trânsito...(Ninguém te escuta chegando; como tem gente que nunca olha antes de sair do carro, ou sair com o carro...).

Mas não pretendo largar a bicicleta, não. Porque é gostoso (nas descidas suaves, então...), é instrutivo, é importante. É bom andar por aí sem motor para lembrar como somos naturalmente lentos, entender a distância real entre os lugares, conseguir olhar para as casas, as pessoas, as árvores, sentir o cansaço físico de utilizar os próprios músculos para chegar de um lugar a outro. Senão a gente acaba pensando que é motorizado, que o para-choque do carro é uma extensão do próprio corpo, que um risco na lataria é mais grave que um hematoma na perna de alguém.

Escrito por Soninha às 12h32

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PERFIL

Soninha Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, 40, é vereadora de São Paulo pelo PPS e também colunista da Folha de S.Paulo.

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