Blog da Soninha
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Copo sempre vazio

Quase dez da noite, passa um caminhão pelo Viaduto Jacareí, na frente da Câmara Municipal, com uma plataforma elevada e um pequeno reservatório de água. Um sujeito com um esguicho lava placas de trânsito; o caminhão era da Companhia de Engenharia de Tráfego. "Que ótimo", pensei. As placas ficam tão sujas com a poluição que logo perdem a capacidade de refletir a luz e, pior que isso, se tornam ilegíveis. Mas o comentário do motorista de táxi no ponto ao lado foi outro: "Em vez de regar as plantas, ficam lavando placa". Não é incrível a nossa capacidade de ver sempre o pior lado de todas as coisas?

Escrito por Soninha às 08h03

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O Correio chegou

"Acessível apenas pelo ar ou por água, o município de Jordão, situado no alto Tarauacá, é o mais isolado do Estado. Desde segunda-feira, porém, um pouco deste isolamento teve fim, com a inauguração da sede dos Correios e Banco Postal (Bradesco). O Banco Postal possibilitará que os habitantes da região possam abrir uma conta corrente e receber seus proventos através do banco. Os usuários também poderão abrir uma conta poupança e contrair empréstimos. (...)

Feliz mesmo ficou o prefeito, Hilário Melo. Por falta de um banco local, ele tinha de buscar o dinheiro dos salários dos servidores em Tarauacá. Além da despesa com o frete de aviões, ainda se preocupava com a possibilidade de ser assaltado. A operação era executada de madrugada, sem deixar escapar alguma pista. "Imagine para um município cuja fonte de renda é só o FPM, isto acarretava uma despesa muito grande para nós.”.

Desde 1916
O prefeito contou que desde 1916 já havia serviço de Correios no Jordão. "Nós tínhamos os estafetas que traziam as cartas e os jornais de Tarauacá de barco. Eles, primeiramente, vinham no remo e gastavam cerca de 15 dias. Depois apareceram os barcos a motor e os estafetas pegavam carona com eles. Também traziam e levavam as carta do pessoal daqui. Eram o único meio de comunicação. Naquele tempo, uma carta de Fortaleza demorava seis meses para chegar.

Inauguração concorrida
A Inauguração da agência e banco postal foi muito prestigiada pela população de Jordão, composta, na maioria, por índios da etnia Kaxinawa. Os índios com seus rostos pintados e colares faziam a diferença dando um colorido todo especial, entre ele o vice-prefeito Siã Kaxinawa”.

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O texto acima chegou por email... (Veio no boletim eletrônico do senador Tião Viana, do Acre). Imagine um estrangeiro meio desinformado lendo isso, imaginando o Brasil inteiro desse jeito. (É como a imagem da África para muitos de nós...) O Brasil é isso TAMBÉM; é sensacional.

Escrito por Soninha às 16h31

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Suposto sobrepeso

As notícias de jornais espanhóis sobre o peso – ou o suposto sobrepeso – de Ronaldinho Gaúcho são exemplares de como a mídia se comporta às vezes. Vejamos alguns dos elementos presentes:

 

1)       A necessidade de uma notícia, um furo qualquer em um dia “fraco”.

 

2)       Um fato, em si, discutível – “Ronaldinho não é mais aquele” – vira verdade absoluta, para a qual se buscará explicações. A escolhida, no caso, foi a gordura do jogador.

 

3)       Para comprovar a tese, vale tudo. Uma foto em ângulo ou situação desfavorável e, principalmente, o depoimento de “fontes” não identificadas. Pessoas “próximas ao jogador”, ou “ligadas ao clube”. Que podem falar qualquer coisa, motivadas por mil razões diferentes

-- vaidade: passar uma “informação confidencial” para um jornalista faz o cara se sentir o tal. 

-- leviandade: é gostoso fazer maledicência; você faz uma fofoca sem muito cuidado, se diverte com isso, e vira “fonte” até sem querer.

-- sacanagem mesmo: o sujeito tem alguma bronca do Ronaldinho e quer mais é que ele se ferre. Ou não tem nada contra ele, mas quer ajudar alguém que seria beneficiado com a sua má fase

-- engano: o sujeito acredita no que disse, falou com convicção, só que está errado.

 

No caso, “fontes ligadas ao Barcelona” disseram que ele estava de 3 a 7 (!) quilos acima do peso.

 

E não é só no futebol que é assim, não... A política está cheia de “notícias” desse tipo. O que era suposição vira fato, e a caça de explicações para o fato não tem limites. Na eleição para a presidência da Câmara, por exemplo, houve várias teses sobre “por que fulano apoiou beltrano” – e quem disse que fulano apoiou beltrano?!

 

Outro paralelo fácil de fazer é entre a fase de contratações de jogadores e técnicos e a montagem de um Secretariado ou Ministério. Podem-se chutar nomes a esmo – uma hora você acerta, como relógio parado (que acerta a hora duas vezes por dia). E pode-se publicar o que disse alguma “fonte” – que, no futebol, pode ser o empresário interessadíssimo em emplacar um jogador no Flamengo; na política, é o assessor ou aliado que diz que sicrano está cotadíssimo para a pasta “x”. Releiam, por diversão, os jornais de 2003/2004 antes de serem definidos os candidatos a prefeito de cada partido – os “nomes certos” foram tão confirmados quanto a vinda de Ronaldo Fenômeno para o rubro-negro carioca.  

 

****

Sobre o Ronaldinho Gaúcho: não me parece estar acima do peso; sempre teve o abdômen meio saliente... Na última partida do Barça pelo Campeonato Espanhol, ele se divertiu em campo, que é causa e conseqüência de jogar muito bem. O lance quase acrobático em que ele driblou 3 ou 4 adversários e chutou a bola no travessão foi muito reprisado, mas a jogada em que fez a assistência para o gol do Eto’o também foi sensacional. Não esqueço a raiva que Ronaldinho me fez passar na Copa, não achando e não criando graça nenhuma no futebol, e também já passei por uma fase em que pensei que ele “já era”. Mas não vou me apegar à rejeição; quando ele dá espetáculo, eu aplaudo.

Escrito por Soninha às 09h59

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4 + 4 + 4 + 4...

Terminou agora há pouco, na Federação Paulista de Handebol, a eleição para presidente pelos próximos quatro anos. Adivinhem: por 7 votos a 6, deu situação. Fabio Lazzari, que ocupa o cargo desde 1991, vai ficar por lá mais um pouco.

 

O processo de votação foi parecido com os que a gente volta e meia acompanha por aí, em outras Federações. Entidades inadimplentes subitamente saldam ou renegociam suas dívidas, tornando-se aptas a votar em cima da hora. Houve dois sufrágios: quando a votação foi aberta, para eleição da Mesa, a oposição ganhou; na hora do voto secreto, foi re-re-reeleito o atual presidente. Há quem jure ter visto, na mão de um dos eleitores, a “colinha” para a votação: “Aberto, Hamilton. Fechado, Fábio”.

 

A oposição tinha o apoio de alguns dos principais expoentes do handebol no estado: o clube Pinheiros, a Metodista, a Hebraica, o São Paulo Futebol Clube... Gente absolutamente insatisfeita com a Federação. Que, também como várias outras, tem algumas questõezinhas a esclarecer. Anos atrás, por exemplo, solicitou verba da Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer (que talvez ainda não tivesse esse nome) para realização de um campeonato. Na prestação de contas de como o dinheiro foi empregado, algumas coisas não batem: a Federação relaciona despesas com congresso técnico, solenidade de abertura, premiação da fase de classificação... Mas nada disso existiu. Alegou ter comprado 30 troféus, quando o mais razoável era adquirir 9. Segundo os comprovantes apresentados, pagou por 300 medalhas o triplo do que elas custam normalmente.

 

Talvez alguém descubra que não houve desonestidade, só incúria ou incompetência. Pode ser. Até porque esta se revela também de outras formas... Em 1999, por exemplo, havia 13 equipes na segunda divisão e 15 na divisão especial do Campeonato Paulista Masculino. Hoje já não há mais segunda divisão, e só 7 equipes disputaram a primeira em 2006. No Feminino, dos 6 times que jogaram o Paulista no ano passado, 3 já anunciaram que vão se desfazer. Parece que a Federação não tem sido muito bem-sucedida na missão básica de promover seu esporte...

 

Não que a obrigação seja só dela. É dos clubes também. Mas pelo menos 7 deles acham que não há motivo para queixas; que as realizações da atual gestão suplantam os seus problemas e defeitos, e que por isso ela merece mais quatro anos. Então tá... Vamos ver por quanto tempo mais o handebol em São Paulo suporta tantas realizações.

Escrito por Soninha às 23h14

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PERFIL

Soninha Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, 40, é vereadora de São Paulo pelo PPS e também colunista da Folha de S.Paulo.

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