Blog da Soninha
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Vou até ali e já volto

Nos próximos três meses, não vou andar de moto, de bicicleta, a pé, de metrô, de ônibus, de trem ou de carro. Nem de avião. Não vou ao teatro, cinema, praia, parque ou jogo de futebol. Não vou comparar Berlim, Nova Iorque, Rio e São Paulo. Não vou assistir televisão – seriado, documentário, noticiário, nada. Não vou discutir violência policial, treinamento do Exército ou a tirania das quadrilhas nas favelas. Não vou ler livros, ter lembranças da infância, me encantar com uma foto ou me irritar com um anúncio.

Pelo menos não aqui, neste blog na Folha Online. Ele vai hibernar durante o longo (e, tomara, não tenebroso) inverno e voltar pouco depois do início da primavera. Enquanto isso, o outro blog volta a ser sortido. Podemos nos encontrar – ou então nos vemos em outubro. (Quem sabe em novembro).

 

Vou sentir falta de vocês. De quase todos vocês. :o).

Escrito por Soninha às 23h33

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O intervalo e a vida "normal"

Legal

“Na tentativa de atrair a torcida, a diretoria do Santos cobrará meia-entrada em qualquer setor para quem for ao jogo com a camisa oficial do clube. Sócios santistas poderão levar um acompanhante de graça”. Melhor que isso, só se o “acompanhante de graça” fosse, obrigatoriamente, uma mulher ou criança. Um dos problemas de estádio é ter muito homem junto.

Mas, com desconto ou não, tomar de 4 do visitante é dose.

 

E depois?

“Em Curitiba, o Coritiba, passou pelo Fluminense - que nesta semana começa a decidir a Libertadores contra a LDU, do Equador - por 2 a 1”.

Se perder a Libertadores, o Fluminense voltará à vaca fria do Brasileirão com uma ressaca monstro.

Se vencer, também não é garantido que consiga se recuperar rapidamente – a sensação é outra, mas tem a ressaca da comemoração também. Olha os resultados do Sport depois do título da Copa do Brasil...

 

Tá demais

Todo mundo gostando tanto da Holanda, e lá se foi ela de volta para casa... Será que a sensação, para eles, é semelhante à nossa em 82?

Espero que ninguém venha dizer “o que adiantou jogar bonito?”. Foi triste, mas não foi um vexame. Fazer o quê, se a Rússia estava com a macaca, especialmente o seu camisa 10, o insolente Arshavin? A Rússia do holandês alquimista, o Gus Hiddink... Título que é bom ele pode não ganhar, mas leva seus times até bem longe.

 

Não vi esse jogo, só os melhores momentos. (Vai ver até foi um vexame da Holanda, mas não quero acreditar nisso. Mesmo com bola pelo meio das pernas do goleiro – um acidente de trabalho, coitado). Também não vi o jogo da classificação inacreditável da Turquia e peguei só alguns pedaços de Alemanha X Portugal. Mesmo assim (ou será que é por isso mesmo?) estou adorando a Eurocopa.

 

Hoje assisti meu primeiro jogo inteirinho, Itália X Espanha. Gostei de tudo – começando pelas imagens nos túneis antes dos times subirem ao campo, com um misto curiosíssimo de tranqüilidade e ansiedade, com Buffon cumprimentando Casillas afavelmente, os jogadores brincando com as crianças que entram com eles no gramado... Dá para tentar adivinhar quem está sorrindo à vontade e quem ri de nervoso, mas não dá para ter certeza. O fato é que todos entram em campo sérios, certamente com frio na barriga.

 

A se julgar pela hora do hino, a Itália atropelaria a Espanha. Todos muito emocionados, abraçados como se jamais fossem largar um do outro, dispostos a morrer pela Pátria (modo de dizer, felizmente). O mesmo clima da torcida italiana, orgulhosíssima de seu esquadrão – como sempre, começando uma Copa meio escangalhada e logo atrapalhando a vida de todo mundo. Ou assim eles imaginavam.

 

A “Fúria” parecia prestes a se dar mal outra vez. Embora os espanhóis quisessem empatar em empolgação com os italianos, não teve jeito – o hino foi mais apavorado, ressabiado, intimidado pelo vigor que haviam acabado de testemunhar. E foram para o jogo nesse estado de espírito.

 

Os italianos, confiantíssimos em si mesmos, pareciam não se abalar por nada. É como se cada um deles já tivesse disputado todas as Copas. É engraçada essa certeza que vem de uma tradição dos antepassados, um mérito acumulado por outras pessoas, do qual você se sente herdeiro e beneficiário. Bom, em futebol isso tem um nome manjado: “camisa”.

 

Os espanhóis se matavam em campo. Chegaram a ter 70% de posse de bola, nunca vi isso! Tocavam, trabalhavam, avançavam. Rondavam a área, quase sempre indevassável como uma fortaleza medieval. Impressionante, realmente, como a Itália se defende bem. Quando o pelotão de linha finalmente era vazado, o Buffon fazia um milagre.

 

Casillas também fez os dele, e mesmo sem ser um jogo de maravilhas e prodígios, jogadas inesquecíveis, foi muito bom. Mais ainda porque eu torcia um pouco pelos dois, portanto por nenhum, e não sofreria qualquer que fosse o resultado. Se desse Itália, eu ficaria feliz pelos meus amigos carcamanos, pelo Marmo dos meus genes, por aquela torcida louca de paixão. Se desse Espanha, me alegraria ver um tabu quebrado, aquele uniforme bonito seguindo em frente, com um negão brasileiro entre eles, mandando a xenofobia lamber sabão.

 

Deu Espanha. Nos pênaltis. Contra a Itália, acho que é o único jeito.

 

de menos

Li na Folha Online que o Fausto Silva – que era repórter de campo – desceu o pau no Dunga em seu programa. Espero que tenha sido espontâneo, e não a pedido da “firma” (depois que o técnico afirmou ser perseguido pela Globo por não lhe dispensar tratamento VIP nos treinos e concentração).

Faustão disse que “só no Brasil um treinador começa a carreira pela seleção”.

 

Eu fico imaginando como será trabalhar anos e anos como técnico, aperfeiçoando seu ofício, agüentando a dureza de um emprego que exige muito do profissional, e perder a vez na seleção para um novato.

 

Bom, a madame aqui também virou comentarista da noite para o dia... Mas não é por isso que vou defender o Dunga – ou melhor, a “idéia Dunga” – agora.

 

Na Alemanha, também colocaram o Klinsmann para comandar a seleção depois de zero experiência como técnico. E era o país-sede! Um vexame seria escandalosamente trágico.

 

Pouco antes da Copa, o panorama era o pior possível. A Alemanha tomou um vareio da Itália (sempre ela...). Os medalhões, desprestigiados pelo técnico, estavam abertamente em crise com ele, enquanto os novatos não pareciam dar conta do recado. E ele parecia soberbamente alheio aos problemas, porque morava nos Estados Unidos!

 

Mas a Copa foi um espetáculo. A Alemanha jogou um futebol legal, vibrante e eficaz. A torcida se apaixonou pelo time e redescobriu seu amor pelo antigo craque. O terceiro lugar foi comemorado como se fosse a chegada de um alemão à lua. A última vez que foram tão felizes tinha sido a derrubada do muro.

 

Ou seja: a idéia de convidar o Dunga era meio bizarra, mas não exatamente pela falta de experiência. Podia ter dado certo. Com sua experiência como jogador, um olhar atento, a colaboração de seus auxiliares e um pouco de intuição e sorte, poderia ter sido uma revelação. Passou perto disso, com as vitórias sobre a Argentina, o desempenho afortunado de seu (então) querido Elano, a vitória na Copa América com o time “alternativo”...

 

Mas Dunga “mascarou”. Entre todas suas características – é persistente, astuto, disciplinado, paciente – resolveu deixar que se sobressaísse a intolerância, a intransigência, a arrogância. Acuado pela imprensa (agüentá-la é requisito para ser técnico da seleção), escolheu o caminho do confronto, do rosnado, da má-criação. Como escreveu o Juca, é verdade que o Dunga não deu privilégios à Globo: foi igualmente rude com todo mundo...

 

Dunga até poderia, como técnico, dar a volta por cima, como fez Klinsmann – antes da Copa, era esculhambado até por Beckenbauer, que depois se declarou encantado. Mas não é o que parece... Compra brigas a torto e direito, faz análises estranhas tanto sobre as vitórias como as derrotas, é incoerente e sequer tem conseguido aquele que era o principal objetivo da CBF ao convidá-lo (e esse foi o grande erro inicial): comandar um time vibrante, brigador, cheio de “raça”.

 

Não acho que o problema do Brasil seja a tal “falta de raça”. Mas tem algo, aparentemente sem importância, que me incomoda tanto quanto a tal da “apatia em campo” irrita a torcida: o jeito blasé dos jogadores fora de campo. Parece que o certo é fazer um ar de quem não está nem aí, não se apavora mas também não se empolga com nada, não se “deslumbra” com a imprensa e o assédio dos torcedores mas também não vê graça nenhuma no carinho e expectativa das pessoas. É como se alguém tivesse dito para eles que sorrir é feio, curtir é feio. Dar tchauzinho da janela do ônibus é caipira; dar uma palavrinha para os repórteres ao descer do ônibus é se diminuir. Chique é mastigar chiclete com fones no ouvido e olhar sempre para baixo ou para a frente, como se o mundo à volta não existisse.

 

Outras seleções também são assim. Problema delas - eu me incomodo com a nossa. Acho que esse modo do grupo se conduzir por aí é mau sinal. Às vezes parece que os mais novos, como o Pato, até têm vontade de destoar, de rir e trocar olhares com as pessoas em volta, mas pegaria mal com os outros...

 

Tenho quase certeza que a desejada alegria de jogar bola estaria mais próxima de aparecer novamente se ser alegre, espontâneo e sincero no dia-a-dia voltasse à moda também.

Quem não se lembra daquela comemoração amalucada do Ronaldinho quando marcou seu primeiro gol pela seleção brasileira? Sem nostalgia exagerada, é daquilo que eu sinto falta. Do gol e da folia.

 

Enquanto isso...

Curti os jogos, escrevi colunas, fui a uma festa junina, almocei fora, li, assisti televisão... A vida parece normal, com um tanto de trabalho, um pouquinho de lazer, noite e dia, frio e calor. Mas não está nada normal. O Fantástico fez uma matéria sobre a insuportável, inacreditável violência nas favelas – parte dela, obra dos agentes da segurança. Coisas que estamos exaustos de saber e parecem ser tão inevitáveis quanto a cadeia alimentar nos oceanos – são assim... São assim e pronto. Quem mandou serem favelados, não é mesmo?

 

Quem puder, leia a coluna da Maria Rita Kehl na Folha de ontem (domingo). Tenho uma pequena objeção a um comentário dela (sobre o Viva Rio – volto a isso depois), mas de resto é magnífica.

Escrito por Soninha às 00h51

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Doces memórias coletivas

"Morreu o Visconde de Sabugosa!"

 

Foi um "aaaaahhhh" imediato no Gabinete, unânime e triste. Uma das moças até ligou para a filha para avisar.

Foi-se um pedaço da infância de todo mundo.

Escrito por Soninha às 13h26

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Cada quadrilha no seu lugar?

Eu pretendia continuar reproduzindo aqui trechos daquela reportagem da Folha sobre o treinamento de PMs no Rio de Janeiro. Mas, diante da barbaridade cometida por oficiais do Exército no Morro da Providência, o que mais dizer?

Quem são essas pessoas que recebem fardas e armas e são investidas (ou se investem) de autoridade para determinar quem vai, quem fica, quem é suspeito, quem cometeu “desacato”, quem é culpado e quem deve ser condenado à morte, e à morte com crueldade?

Pessoas sem a menor condição, sem o menor preparo para zelar pela segurança de ninguém, de lugar nenhum. Ou pior: preparadas para serem assim -- violentas, cruéis, autoritárias, desumanas.

Militares são treinados para a guerra. Soldados são preparados para abater o inimigo, para defender “a pátria”. Não servem para atuar onde não há trincheiras, bandeiras e uniformes diferentes e um exército “inimigo”; quando é preciso discernimento, delicadeza, cuidado. Quando se está vivendo no dia-a-dia de gente ido para o trabalho e a escola ou voltando do baile funk.

Três jovens foram tratados como “inimigos”. Três moradores do Rio de Janeiro. Davi tinha 24 anos. Órfão de pai e abandonado pela mãe, foi criado pela avó. Vendia na escola os doces que ela fazia. Com 21 anos, estava no 1o. ano do ensino médio – e teve de largar para trabalhar (como auxiliar de pedreiro). Este ano conseguiu voltar à escola; fazia supletivo à noite e ia começar a trabalhar, na segunda-feira, nas obras de reurbanização da favela.

Wellington morreu com 19. Também começaria a trabalhar nas obras na segunda-feira. Entregava pizzas à noite. Estava cursando a segunda série do ensino fundamental, aprendendo a ler.
Ali no Rio de Janeiro, não em Darfur. Não em Porto Príncipe, Haiti.

Marcos, de 17, estava na sétima série. Desde pequeno, arrumava um dinheirinho para a família descarregando caminhões de areia.
Logo ali, na antiga capital da República, século XXI (e não XVIII). O sonho dele? Se alistar no Exército.

Os três eram “escurinhos”. Semi-letrados, semi-esperançosos. Foram torturados e mortos com uma porrada de tiros.

Não foi o Exército quem matou os moços, foram os bandidos. Mas alguém a quem o Exército confiou uma arma e autoridade os levou até o matadouro. Um tenente que, imbuído de sentimento doentio de superioridade e noção deturpada de hierarquia, se sentiu desacatado pelos rapazes – mas resolveu desrespeitar, ele mesmo, a ordem de seu superior que mandou soltá-los. Achou que eles mereciam “um corretivo”. Tão zeloso da ordem que foi procurar um bando de facínoras para executar seu desejo.

O Exército é inadequado para a segurança urbana, mas não foi essa inadequação que levou à morte dos três jovens. Foi outra, muito pior, que não se resolve com a retirada dos militares da favela. É a prática corriqueira de enfatizar, aos berros, a necessidade de disciplina, respeito, obediência, sacrifício, cumprimento cego das regras -- ao mesmo tempo em que se pratica o desrespeito, a desobediência das regras, a humilhação e covardia. Quando não é assim nos trotes violentos dos mais velhos nos recrutas, os próprios treinamentos se encarregam disso.Outro dia morreu um soldado durante um “ralo” (ou "mega", como disse uma testemunha - leia aqui).

Que mundo é esse, meu deus? Mundo em que se noticia, com a maior naturalidade, que “um morro é do CV, o outro é do ADA”. Em que se sabe que não pode levar os moços de um morro para outro porque senão os bandidos que mandam no morro vão matá-los.

Então era só o tenente não ter feito a transfusão de gente que tudo bem? O Exército precisa cumprir a regra: quem é deste morro aqui não pode ir para lá, se isso for cumprido, pronto, está mantida a "ordem". Cada quadrilha no seu lugar. Se ficar assim, tudo bem?

Estou escrevendo este texto há dias e nunca termino. Queria continuar falando sobre o absurdo que é um número tão grande de moços crescerem acostumados à violência como "solução", como algo que faz parte da paisagem, do destino. Sejam eles tenentes do exército, soldados PM ou soldados do tráfico. Achando natural matar, torturar, obedecer ordens e machucar alguém ou desobedecer ordens e machucar alguém. Mas vou parar por aqui - até porque infelizmente o assunto há de voltar.

Escrito por Soninha às 15h07

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Solidariedade & negócios...

Ontem à noite, quando saíamos de um debate, um amigo perguntou: “Você já caiu com ela?”, apontando para a minha moto. “Isso é pergunta que se faça?”, resmunguei internamente. “Não, só com a Vespa”. E fiquei triplamente atenta para aquilo não virar premonição.

De lá fui para o aniversário de um amigo e fiquei pouquíssimo tempo - já era tarde. Quando saí do restaurante com um capacete na mão, os valets me preveniram: “Então é sua aquela moto que está com o alarme disparado?”.

Bom, se ela ainda estava ali, não tinham levado. Alguém devia ter esbarrado nela, só podia ser.  Estava estacionada no mesmo lugar, em posição um pouco diferente da que eu deixei – “Será que caiu?”.

Virei a chave, desliguei o alarme e comecei a inspeção para descobrir os estragos. Os piscas e espelhos, normalmente os primeiros a quebrar, estavam inteiros. Mas tinha um amassado no escapamento... A tampa do baú estava solta... E o pára-lama dianteiro tinha sido quase todo arrancado! Caramba, derrubaram e arrastaram? Para piorar de vez, do manete do freio direito só tinha sobrado um toco, e o acelerador estava afundado. Ou seja: impossível voltar para casa dirigindo.

Os valets me ajudaram a empurrar a moto até os fundos do estacionamento logo em frente. O filho do dono do restaurante, solidário, me deu carona até em casa. Eles não tinham responsabilidade sobre a moto, parada na rua, mas me deram uma força assim mesmo.

Hoje, também com ajuda, ela foi resgatada e está no conserto. R$230,00 pelas peças e mão-de-obra. Saco.  Pelo menos vai ficar pronta logo.

E aí eu não ia nem contar nada do que aconteceu, porque não tem importância nenhuma (ok, muitas coisas aqui não têm). Mas dois detalhes da história foram particularmente intrigantes para mim. O primeiro: o cara que derrubou a moto fez um estrago danado e não quis nem saber de se oferecer para ajudar a pagar o conserto, mas teve o cuidado de botar a moto de pé outra vez! Ou alguém fez isso depois que ele foi embora? O outro: quando foram buscar a moto hoje de manhã, o cara do estacionamento cobrou 20 reais. É viagem minha, ou ele bem podia ter feito uma cortesia?

Um derrubou, um levantou, um ajudou, o outro cobrou. Seres humanos são muito complexos.

Escrito por Soninha às 14h13

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Ainda os pelados

Essa matéria do Estadão, e especialmente as fotos, dão uma idéia do que aconteceu na Bicicletada no sábado.


E aqui, o relato do único pelado que foi detido. Começa assim (é proibido para quem não entende sarcasmo):

"No Brasil, caso você atropele alguém, não se apavore, primeiro, confirme para ver se realmente a pessoa esta morta. Se não estiver, termine o serviço, passe novamente em cima, dê um jeito. Só não use arma de fogo, pois isso pode te trazer complicações. Depois ligue para o resgate. Se tiver muita cara de pau, vá até o velório, se solidarize com a família e diga “Sinto muito pelo acidente”. Fácil, o assassinato já virou um “acidente” e você é um homem livre. Agora cuidado, não fique pelado, pois nesse caso a polícia é IMPLACÁVEL".

Escrito por Soninha às 10h58

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Insinuação de sexo pode; nudez, não...

“Eu-nas-ci-pe-lado!”

“Pi-men-ta-é-na-comi-da!”

“Ô-de-le-gado! Libe-ra-o-pela-do!”

 

Dá pra imaginar o que é isso?

Sim, as "palavras de ordem" dos ciclistas da “Pedalada pelada” (tradução livre para a “World Naked Bike Ride”) diante do 78º DP, nos Jardins.

 

Ia tudo muito bem na pedalada, ou melhor, “Bicicletada”, como essa manifestação normalmente é chamada, até que a polícia apareceu. “Põe a roupa aí”, pediram, com aquela delicadeza básica. “Põe a roupa por quê?”, respondeu um peladão. Pronto: em instantes, havia spray de pimenta, borrachada, tumulto. O cara foi detido. Só ele, entre os pelados todos. Disseram que ele “provocou”, que andar pelado na rua é “atentado ao pudor” ou “ato obsceno”, não sei bem (e é verdade – sim, no Brasil, não no Afeganistão), que tentaram usar a bicicleta como arma contra os policiais (porque, como em toda Bicicletada, em determinado momento desceram das bicicletas e as ergueram sobre a cabeça. Sem piadinhas com “cabeça”, por favor).

 

Sorte que a Bicicletada é pacífica. Imaginem um confronto entre 300 pessoas e a PM na avenida Paulista que termine sem maiores danos – sem quebra-quebra, sem precisar chamar reforços... Rolou a tal da pimenta (incrível como usam a torto e direito), mas não “precisou” de bomba de “efeito moral” para “acalmar” os ânimos.

 

Enfim, levaram um ciclista (e eu até agora não sei direito se ele estava de sunga, com um jornal, uma folha de parreira ou como veio ao mundo) para o distrito, ele teve de assinar um TC e terá de se apresentar no Fórum algum dia desses.

 

Os ciclistas foram para o distrito também, no mínimo 100 deles. Havia duas ou três moças sem blusa, uma de biquíni e muitos homens de cueca (isso sim é indecente! Cada cueca feia...). E aí gritaram as frases lá do começo do texto, enquanto tentavam confirmar se o amigo sairia dessa sem maiores problemas. (Na delegacia, felizmente, ele foi tratado com civilidade).

 

A Bicicletada é um passeio de bicicleta que não tem líderes ou responsáveis, apenas uma comunicação em rede na base do “vamos lá?”. Acontece em vários países, inclusive nessa versão sem roupa. Tem como objetivo chamar a atenção para as condições de ciclistas na cidade; para o quanto a bicicleta é uma forma de locomoção interessante para a coletividade (bicicleta ocupa bem menos espaço do que carro, não polui, não emite gases de efeito estufa...), prazerosa (pedalar é bom) e saudável (todo mundo precisa de atividade física), desde que as condições sejam melhores – as vias, mais seguras; os motoristas, mais cuidadosos (sim, alguns ciclistas também precisam ser mais cuidadosos).

 

A Bicicletada pelada é uma radicalização divertida (bom, era pra ser) – para mostrar mais enfaticamente como um ciclista se sente no meio dos carros, tendo de disputar espaço com eles: nu, desprotegido.

 

Tinha muita gente na Paulista com câmeras fotográficas e de vídeo esperando passarem os peladões; acabaram indo tirar fotos na frente da delegacia... (E quase todo mundo encarou na boa, mas alguns ciclistas ficaram irritados e discutiram com jornalistas, uma pena). Antes da intervenção da polícia, ninguém estava horrorizado pedindo “socorro, cadê a Segurança Pública, ninguém mais tem paz nessa cidade!”. Mas, enfim, pedalar peladão é crime (ou contravenção, sei lá), e a polícia não podia abdicar de seu dever de fazer cumprir a lei (assim foi dito).

 

Em um país em que é tão normal usar imagens eróticas para vender carro e bebidas alcoólicas – dois produtos cujo uso indevido ou abuso causa toda sorte de desgraças – andar de bicicleta sem roupa é assunto para a polícia, delegacia, Poder Judiciário. Só rindo mesmo.

Escrito por Soninha às 00h08

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As piores frases da publicidade

As piores frases da publicidade

Na categoria mídia impressa:
“A frente é tão bonita que melhora o design do motorista” (Que beleza, reforçar a idéia que as pessoas ficam melhores – ou mais atraentes – quanto têm um determinado automóvel. É ótimo pra sociedade pensar assim).

Na categoria anúncio de rádio:
“Já pensou, uma São Paulo sem muros? Está nascendo um bairro privativo...” (Isto é, cercado de muros.)

Na categoria televisão:
“Eu quero fazer cocô na casa do Pedrinho!” (No código auto-regulamentação da publicidade, não existe nenhuma recomendação quanto ao limite máximo para as repetições de determinado anúncio?)

Escrito por Soninha às 21h36

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31 de dezembro?

Rapaz... Eu sabia que tem muito pernambucano em São Paulo, mas agora eu vejo que são milhões! E tudo torcedor do Sport... Parece até que é reveillón.

 

Futebol nada, o esporte favorito da nação é secar. :o)

***

 

O deus dos estádios, que é cheio de graça, teve misericórdia dos palmeirenses. 2008 seria insuportável para um alviverde se os corintianos não só tivessem um título muito melhor do que o de campeão paulista – além de nacional, dá vaga na Libertadores – como também o fizessem superando justamente o Sport. O Sport que eliminou o Palmeiras da mesma Copa do Brasil. E que acabou de derrotá-lo por 2 X 0 lá na Bombonilha. Já pensou? O dia amanhã (hoje) será difícil para os corintianos, mas seria muito pior para os palmeirenses se eles fossem campeões.

 

***

Foi um duelo de confianças. O Mano apostou na de seu time, como raramente alguém se arrisca a fazer. Quando o Corinthians chegou à vaga na final, alguém perguntou: “E agora, como conter a euforia e se concentrar apenas no jogo do Campeonato Brasileiro?” “Não dá pra conter a euforia, e nem precisa. Eles merecem, deixa curtir”. E foi dando certo. Sem ser um time maravilhoso, o Corinthians foi subindo, foi chegando, foi revirando vantagens e ficando cada vez mais feliz consigo. O Corinthians só foi tão longe porque se achou o máximo.

 

Só que pegou pela frente justamente o Sport... O Sport campeão pernambucano por antecipação; o Sport dos 4 X 1 e também das viradas, o Sport que não desiste nunca. Carlinhos Bala saiu de campo no jogo de ida contando vantagem: “Quem sabe esse é o gol do título?”. Mano Menezes respondeu no mesmo tom: “Pode ser, sim, o gol do título... do Corinthians, se for esse o único gol do Sport na final”. Só podia dar certo para um dos lados; o outro sempre seria obrigado a ouvir que foi soberbo e etc.

 

A ousadia de Carlinhos Bala, sabemos agora, foi a que deu resultado...

 

***

Antes do último jogo da semifinal, um amigo corintiano perguntou: “E aí, o que você acha que vai dar?”. “Corinthians na final – e Sport campeão”, sacaneei. Ele riu: “Não, em final ninguém segura o Corinthians”. E acrescentou, com veneno auto-depreciativo: “O juiz não deixa”.

 

Agora o Corinthians é quem se queixa da arbitragem, por causa do pênalti não assinalado no Acosta (se é que foi – mudei de idéia duas vezes vendo o replay. Na hora, eu daria). Se o erro fosse contra o Sport, o mundo teria certeza de que era de propósito, para beneficiar o time mais rico e poderoso, que interessa mais aos patrocinadores e à televisão, etc. etc. Mas juiz erra mesmo, fazer o quê? Aliás, errou também, e feio, a favor do visitante, porque o Fabinho chutou as costas do Enilton dentro da área, em lance muito mais grave (que valeria um vermelho para o volante corintiano).

 

***

Eu nem sei como posso gostar tanto de futebol, porque sempre tenho dó de quem perde. Ficaria triste pelos 30 mil e tantos rubro-negros no estádio, pelo Ariano Suassuna, pelos outros torcedores todos se a Ilha tivesse “falhado” dessa vez. E agora tenho dó dos corintianos, não liguei pra nenhum pra sacanear (aliás, não tenho esse hábito), vou guardar um silêncio misericordioso amanhã... Mesmo sabendo que eles não fariam o mesmo por mim!

 

***

E o Nelsinho, hein? Futebol é mesmo um troço incrível. A redenção às vezes é rápida como um raio, tanto quanto a desgraça costuma ser. O próprio Corinthians teve uma trajetória redentora em 2008. E aí perde justamente para o Nelsinho... Dá um belo de um cordel (a essa altura, alguém já deve ter feito).

Escrito por Soninha às 01h16

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Pagando a dívida

Eis aí os 39 municípios da região metropolitana de São Paulo: Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema, Guarulhos, Itapevi, Itapecerica da Serra, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, São Paulo, Suzano, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista.

 

E pensar que um dia já soube de cor os afluentes do Amazonas (da margem esquerda e da direita), mas nunca estudei, no Colégio, Salesópolis (onde fica a nascente do Tietê, uma graça), Pirapora do Bom Jesus (famosa pelas romarias, mas o pobre Tietê, que é represado para usina hidrelétrica logo abaixo, já está bem poluído). E se me perguntassem onde é Biritiba-Mirim, talvez a ignorante aqui dissesse: "Anh... Paraná?" (o município se emancipou de Mogi em 64; "Biri" é uma flor que nasce em abundância na região, em terrenos alagados; mirim = pequeno. Biritiba Mirim = lugar pequeno onde nascem muitos biris).

 

Eu não acho que os pobres estudantes de quarta-série de São Paulo deveriam decorar os 39 municípios da Região Metropolitana (se bem que criança às vezes se diverte com essas coisas, e memorizar tem seu valor como exercício mental. O que estraga tudo é cair na prova, valer nota...). Mas acho que a gente deveria aprender mais sobre os vizinhos - e isso vale para os municípios e também os países ao lado. Sabemos mais sobre os Luízes e Henriques na França e Inglaterra do que sobre Chile e Argentina. Currículo escolar é um mundo meio fechado, cristalizado, que algum dia alguém definiu "é assim" e todo mundo segue. Por que aprender o que é retículo endoplasmático rugoso e não mecânica de automóvel? A reprodução das gimnospermas e não o papel do Ministério Público? O diagrama de Linus Pauling e não a história da Índia? Ou do próprio Linus Pauling, que - soube há pouco tempo - era uma figura surpreendente e chegou a ser considerado, por sua militância pacifista, "inimigo" dos Estados Unidos nos tempos do macartismo. Seu diagrama era até divertido de aplicar (aliás, eu adorava aprender todas as coisas, inclusive química e biologia), mas se as crianças discutissem guerra e paz na escola seria mais proveitoso.  

 

Escrito por Soninha às 08h59

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Infortúnios em série

[Escrito à mão no domingo às 6:00]

Primeiro, Curitiba não me queria. Depois, não queria me largar.
Preciso contar tudo desde o começo – sinto aquele desejo idiota de me consolar sabendo que alguém tem dó de mim [já passou, mas agora não vou desperdiçar o que escrevi]

Infortúnio n.1: o computador
Acordei no sábado às 5:30 lembrando que a única coisa que sabia do meu vôo era o horário: 6:50. Qual a companhia aérea?
A pessoa que organizou a viagem tinha mandado um recado pelo celular, na véspera: "Enviei sua reserva por email". Saltei da cama e liguei o computador do escritório, que é meio lerdo na hora de ligar, e corri para o chuveiro.
Ligar, o computador ligou – mas a internet não estava funcionando. *@&$#. Ainda antes de terminar de me vestir, liguei o notebook, que tem conexão tipo celular. O note é ainda mais lerdo... Finalmente, ligou e conectou. Abro o email. Lá está: a reserva da volta. [Ontem, segunda-feira, achei o email com a reserva da ida...]

Infortúnio n.2: de “previsto” a “sem previsão”
 Me mandei para Congonhas e procurei no painel: Varig 6:45. TAM, 6:52. "Deve ser esse". Era.
 O vôo da Varig aparecia como "atraso meteoro". O da TAM, como "previsto". Queria saber quem era o Nostradamus de araque.
Logo depois, o aviso por alto-falante, já na sala de embarque: "O aeroporto de Navegantes está fechado, sem previsão".

Infortúnio n.3: entra-e-sai
Vou pular as duas horas seguintes... Li, rabisquei mil anotações e dormi um pouco sentada. Só depois delas descobri que, em outro setor de embarque, havia a tal sala VIP do American Express [falei sobre ela dois posts atrás]. Bacanérrima – café, salgados e doces, poltronas confortáveis e computador com internet, uêba.
(Ah, sim, porque eu canso de carregar meu notebook à toa, mas dessa vez resolvi deixar em casa  -- "não vai dar tempo de usar mesmo...").
Só esqueceram de providenciar informações sobre o embarque. “Você pode ir olhar ali no painel em frente ao portão 6”, disse a moça da recepção, contendo o sorriso amarelo.
Então tá.  A cada 5 minutos (mesmo!) eu saía da sala para olhar no painel. Estava lá: VARIG – Curitiba – "Atraso Meteoro" (juro que nunca tinha visto isso) ; TAM – Curitiba – "Atrasado".
Fui para o computador, publiquei um post, saí. "Vôo atrasado". Entrei, autorizei uma dúzia de comentários, saí. "Atrasado". Mais uns comentários. "Atrasado". Respondi dois emails. Saí. "VARIG – Curitiba – Embarque Imediato" (bom sinal!); "TAM – Curitiba – Vôo encerrado”.
COMO ASSIM ENCERRADO?

Infortúnio n. 4: perdi o avião?
Voltei para a sala, recolhi minhas coisas e saí que correndo que nem doida até o portão original, o 1 (o painel já não indicava portão nenhum). Na porta de embarque, a informação: "Você pode ir já para Curitiba via Galeão (!!!) ou pegar o vôo das 13:00h, porque o das 8:45h não vai ter lugar". Já eram 10:30h.
Como meu último compromisso em Curitiba começaria às 14:00h, resolvi ir para o Rio. Saindo de SP às 13:00 – no mínimo – sei lá que horas chegaria lá. Ainda bem que sempre tenho papel, caneta e livro!

Infortúnio n.5: de quem estava tentando há mais tempo
Na van para o avião, soube que tinha gente tentando ir para Curitiba desde a véspera à noite! Tiveram de desistir de madrugada, foram levados para um hotel às 4:00, saíram às 5...
Meu vizinho de poltrona, que estava nessa situação, ia disputar uma prova automobilística em Curitiba. "Meu carro está parado lá no Box", comentou, com zero rancor. Santa paciência!

Infortúnio n.6: sempre pode ser pior
Atualizando o noticiário: o pessoal que tentou embarcar na sexta à noite JÁ TINHA sido encaminhado para o Galeão na própria sexta. Do Galeão iriam para Curitiba. Meu vizinho piloto estava nesse vôo; acordou no pouso pensando que tinha chegado ao seu destino, quando ouviu: "Bem-vindos a Guarulhos..."
O vizinho do outro lado tinha saído de Buenos Aires na quinta às 15:00, tentando terminar a viagem em Curitiba. Foi parar no Rio de Janeiro.
Ouvi dizer que um casal tinha chegado d
a Suíça na quinta de manhã - e Curitiba continuava ficando cada vez mais longe.

Infortúnio n.7: sentir-se em casa
Cheguei a Curitiba às 13:50. Do aeroporto até o centro da cidade, foram 45 minutos no trânsito.

Infortúnio n.8: vôos lotados
A volta estava marcada para o fim da tarde - afinal, era para eu estar na cidade desde as 8 da manhã... Tive de transferir a passagem para mais tarde, e o único vôo com lugares disponíveis era o da Varig às 9 da noite.
Lá se foram os compromissos do começo da noite em São Paulo.

Infortúnio n.9: falha humana
Eu jurava que o vôo era às 20:50, mas me passaram um papel com o número da reserva e a seguinte anotação: 20:50 - 21:50. Que foi interpretada assim - horário do check-in/ horário da decolagem. Por isso, me levaram para o aeroporto às 20:50. Encontrei o balcão da companhia deserto. Procurei o painel: o último vôo para São Paulo estava "taking off" naquele momento.
Com uma calma que nem eu sei de onde veio, procurei o balcão da TAM e expliquei que eu tinha uma passagem não utilizada porque tudo tinha dado errado desde o começo do dia. Se eu tivesse chegado na hora, teria voltado na hora também! A moça entendeu e imediatamente me encaminhou para remarcar o bilhete. Opções: 6:20 para Guarulhos ou 10:30 para Congonhas.
Eu tinha deixado o carro no estacionamento de Congonhas, mas queria chegar o quanto antes - no mínimo, para assistir à final de Roland Garros, que começava às 10:00. Fiz o check in antecipado (não tinha bagaem nenhuma) e fui para o hotel mais próximo.

Infortúnio n.10: não era meu dia de navegar
O hotel tinha um "business center", mas a internet não estava funcionando.

Infortúnio n.11: como foi que eu não imaginei?
Dormi mal, talvez com medo de perder a hora. Antes das cinco da manhã desisti de tentar adormecer de novo e fiquei assistindo "Friends" e "Monges Mal Comportadosaté chegar o táxi (marcado para as 5:20). A fila no check in era imensa; ainda bem que eu já tinha feito o meu!

O painel informava que o vôo das 6:20 estava previsto para as 6:20. Fui até a livraria, comprei dois livros e dois "Coquetel", e procurei o portão do embarque (meu cartão mandava fazer isso às 5:40).
A moça do portão estranhou: "No balcão eles mandaram vir para cá?". "Não passei hoje no balcão".
Adivinhem: claro que o vôo das 6:20 não ia rolar. "Cancelado". "A senhora pode ir para Guarulhos às 13:00 ou Congonhas às 10:30".
Escolhi 10:30, claro. E fui para o embarque... Pelo menos o café do lado de dentro já estava aberto.
E pensar que minha diária no hotel dava direito a café, o documentário sobre o Tibet estava super interessante, e eu fui embora antes de um começar e o outro terminar.

Infortúnio n. 12: temperatura ambiente padrão-geladeira
A sala de espera é razoavelmente confortável, tinha uma TV ligada (distrai que é uma beleza) e dois cafés (entre 6:00 às 10:30 comi uma vez em cada um). Mas fazia um frio desgraçado; não tirei foto das outras pessoas encolhidas para não constrangê-las. Por que não climatizam direito o ambiente? Eu nem sei se era a temperatura ambiente ou - o cúmulo - se o ar-condicionado estava ligado.

 

Fim do infortúnio: o desembarque
Pousamos em Congonhas às 12:00. Nunca pensei que Curitiba fosse tão longe! Seis horas de "vôo" para ir e outras seis para voltar. 
Ainda bem que parei o carro em um estacionamento fora do aeroporto - o oficial é carésimo e as 30 horas teriam custado os glóbulos oculares. 
Antes de encerrar o relato, últimas perguntas:
- Não existe tecnologia disponível para impedir que o aeroporto de Curitiba feche tantas vezes?
- Já que ele é tão sujeito ao nevoeiro, por que marcar um vôo tão cedo (6:20 de domingo) e o seguinte tão distante (10:30)? Não seria mais realista marcar um vôo para a 8, outro para as 9?
- Por que o painel não informa direito o que está acontecendo? Por que ele insistia em dizer que o vôo estava "previsto" muito depois de ele ter sido cancelado??
Enfim, passou. Fiquei curiosa para ler meu horóscopo do sábado, só para saber se ele dizia "bom dia para viagens". Só se ele quisesse dizer "porque você está incrivelmente calma para agüentar qualquer coisa".

Escrito por Soninha às 17h00

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Comentario atrasado e voo atrasado

O Boca merecia perder? Merecia não. Menos ainda por placar tão dolorido.

Mas fazer o quê, se o Fluminense mereceu ganhar? Alguém tem de perder!

 

2008 será um ano inesquecível para a torcida tricolor. A história do Flu ganhou episódios maravilhosos, comparáveis as glórias do passado – aquelas que parecem sempre mais fulgurantes, inigualáveis. O jogo contra o Arsenal... O clássico dos tricolores brasileiros... O Boca lá e o Boca aqui. Sensacional.

 

Mas eu sou pessimista, tanto por impulso quanto por racionalidade. O que aconteceu até agora não tem nenhum poder sobre o resultado dos próximos 180 minutos, a não ser como motivação e fonte de auto-confiança -- o que tem sido muito importante, mas não garante nada. O Boca estava super motivado e confiante... Mas Fernando Henrique, Washington, Conca, Dodô, Junior Cezar, Thiago Luis e os demais estavam “iluminados”.  Ninguém podia, ninguém poderia com eles.

 

Mais de uma vez, este ano, se poderia dizer exatamente isso: jogando daquele jeito, ninguém poderia com eles. Tem um tanto de talento e concentração, um tanto de coragem e persistência, um tanto de sorte. Lamento pelos adversários, mas não dá para eliminar a sorte como se ela fosse um doping, um elemento proibido... O gol da perícia e o gol da sorte valem a mesma coisa.

 

No parágrafo anterior, eu ia dizer apenas “Fernando Henrique estava iluminado”, mas tive de continuar a frase com os outros nomes. Que delícia torcer para um time com tantos motivos para dizer ”e Fulano? Fulano arrasou!".

 

E tem o Corinthians... Não vou falar do Corinthians agora, por dois motivos - estou em uma sala de Congonhas muito bacana, muito VIP, para quem tem um derterminado cartao de credito, mas que nao tem sistema de som anunciando os voos. O meu esta atrasado horas, mas eu tenho de ficar la fora para saber quando ele sai! Entao aproveitei para entrar rapidamente e terminar este texto que eu tinha começado na quitna-feira, mas nao posso demorar. E, para completar, o teclado, como se percebe, tem uma configuração diferente e nem sempre eu acho acentos e cedilhas... Entao fica pra depois.

Escrito por Soninha às 09h08

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Náutico X Fogo

Os erros vistos no campo do Náutico no fim-de-semana foram apenas o começo de uma série de barbaridades. De lá para cá, as coisas ficariam cada vez piores.

 

Quanto ao jogo em si: o lance que rendeu o segundo amarelo ao André Luiz podia perfeitamente ser entendido daquela maneira. O Rui exagerou na queda? Talvez. Mas ele partia a toda velocidade em contra-ataque e o zagueiro do Botafogo se atirou que nem uma vaca brava para impedi-lo. Foi imprudente e, tendo ou não atingido a bola, podia ser punido com o cartão. Se não tivesse resultado em expulsão (e não tivesse havido todo o tumulto que veio depois), o lance não causaria tanta controvérsia, seria apenas mais uma entre muitas decisões em campo. E eu não a chamaria de erro do juiz – podemos dizer “concordo” ou “não concordo” com a sua interpretação.

 

Aí o André Luiz, que já estava naqueles dias (se fosse mulher, diriam “de TPM”), saiu tão transtornado que foi para o banco em vez de ir para o vestiário. Um erro menor – muito pior foi ter chutado uma garrafa na direção da arquibancada e feito os gestos obscenos para a torcida (depois de fazer o sinal-da-cruz!).

 

Mas a autoridade em campo é a arbitragem. Quem tinha de dizer “sai daí” era o juiz, não a polícia. Se ele resistisse, aí sim a polícia poderia intervir para preservar a ordem pública e evitar um conflito. Mas -- como volta e meia acontece -- os policiais entraram em cena para piorar as coisas, não melhorar. Para criar mais tensão e tumulto, e não apaziguar!

 

Quando a aspirante tentou pegar o jogador pelo braço, não havia a menor necessidade disso. Ele já estava saindo. Ele não devia ter agido daquela maneira, mas não cometeu nenhuma grande violência, nenhuma atitude que justificasse ser cercado e rendido por meia dúzia de policiais armados. Ele não machucou, não atacou, não ameaçou a sub-oficial nem a ordem pública. Só foi ríspido e mal-educado. Ah, cometeu um “desacato”? Ok, dessem voz de prisão depois (o que já seria um exagero). Agarrá-lo à unha porque foi mal-educado é um baita de um exagero.

 

Policiais do Choque têm de estar preparados para lidar com situações complexas, arriscadas, muito tensas. Precisam saber conter tumulto, rebeliões, com frieza e inteligência. Têm de ser homens e mulheres de gelo, super-qualificados e capacitados, para não sucumbir à impaciência, raiva, nervosismo. Qualquer gesto errado pode resultar em desastre. Mas aqui no Brasil – e não apenas em Pernambuco – é normal o contrário. Quanto mais sangue-no-zóio, melhor.

 

Enfim, não pode estar certo precisar de vários policiais armados para tirar um jogador expulso de campo. Mesmo sabendo que ele chutou uma garrafa na direção da arquibancada. E se os policiais foram ofendidos (e foram), ofenderam também, como não é raro acontecer.

 

Para concluir, a porta trancada no vestiário foi uma aberração. A direção do Náutico diz que: 1) quem fica com a chave do vestiário é um funcionário da Federação (não sei por que). 2) quem mandou trancar foi a própria polícia, porque teria gente do Botafogo furiosa lá dentro querendo invadir o campo. É possível que estivessem querendo ir “resgatar” o jogador – mas se o André Luiz pudesse entrar no vestiário, estava resolvido, não teria mais ninguém para ser resgatado. A polícia que contivesse os possíveis invasores e botasse o jogador para dentro do vestiário e pronto. Como ele não entrou, a confusão se estendeu e piorou – sair pelo meio da torcida adversária foi totalmente inadequado.

 

Para piorar tudo de vez, os comentários sobre o ocorrido viraram troca de ofensas de natureza discriminatória. Tem gente acusando “o nordeste”, Pernambuco, Recife. Absurdo. Mas também tem gente dizendo que “só estão criticando porque é no nordeste”. Outro absurdo.

 

Reclamar do estádio, do Náutico, da polícia e da Federação Pernambucana não tem nada de bairrismo e preconceito. Foi lá que aconteceu e pronto. Queriam o quê, que a gente não criticasse por ser no nordeste, para não parecer preconceito???? Então o Náutico é café-com-leite? A PM de Pernambuco não pode ser criticada? Ou só pode se o crítico for do nordeste também?

 

As insanidades continuaram. Um dirigente do Botafogo diz que o André Luiz foi um “herói” por não ter dado umas porradas na policial (!). E enumerou os estados e estádios que não têm problema nenhum – no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio... Bebeu, só pode. E a Assembléia Legislativa de Pernambuco resolveu, por unanimidade, homenagear os policiais que comandaram a operação.  

 

A gente pode até tentar entender o André Luiz e seu destempero, entender os policiais e sua falta de preparo. Mas não condecorá-los!

 

Tem polícia ruim em todo lugar. Despreparada, truculenta. Não são todos os policiais, mas a instituição é complicada. E há estádios com problemas em tudo quanto é lugar. E até parece que “a imprensa do sul” não explora esses problemas quando são no seu terreiro, não mostra os fatos, não critica...

 

Pode até ser que alguns estádios recebam menos atenção do que deveriam. São Januário, por exemplo, virou folclore -- sabe-se que lá tem problemas e tudo bem, já nem se noticia mais. Mas a recepção ao Sport na Copa do Brasil foi absurda!

 

Mano Menezes deu uma declaração importante: se os clubes ficarem abandonados à própria sorte, o máximo que conseguiremos é uma escalada da violência. “Nos trataram mal lá? Vão ver como vai ser quando vierem aqui”. As autoridades do futebol (federações, confederação) têm de se ocupar mais disso – ou será que o único temor deixar uma imagem ruim para os investidores estrangeiros interessados na Copa do Mundo?

 

(Se pelo menos esse temor servir para tomar providências, melhor...)

 

***
[Acrescentado na quinta-feira à noite]

 

Eu queria reproduzir a declaração exata do Mano Menezes, então aí vai:

"Desde que joguei a Série B pelo Grêmio, digo que alguns excessos perigosos vêm acontecendo no futebol brasileiro e não é só em Recife. É uma bola de neve: um faz e gera uma reação mais forte do outro. Quem organiza o futebol brasileiro deve chamar para si algumas responsabilidades". 

***

E a LIbertadores, hein?

 

Se o Boca fosse invencível, seria campeão todo ano. Muitos times bons e até médios já tiraram os argentinos da competição.

Meu time tem uma história feliz e uma história triste contra eles... Uma vez fez 6 gols no Boca no Parque Antarctica, em partida impecável. O Palmeiras tinha qualidades e estava confiantes nelas; entrou em campo disposto a utilizá-las. (Depois daquele jogo, atendendo ao apelo das arquibancadas, o Parreira convocou o Mazinho para a seleção).

Na Bombonera, em outra edição, fez 2 X 2 em um jogo em que foi muito, muito sacaneado pelo Roubaldo, ops, Ubaldo Aquino. Aí, no jogo de volta, tomou um vareio...

O Flu pode passar pelo Boca, sim. Não é garantido (claro que não! Nunca é. Quem esperava aquele vexame do Flamengo contra o América?). Mas se passar... Se passar precisa tomar muito cuidado. É tipicamente brasileiro pensar "agora ninguém mais segura" - e tropeçar em seguida. Vide, por exemplo, o Brasil na Copa de 98, depois daquela semi-final contra a Holanda... Etc. etc. etc.

Escrito por Soninha às 19h16

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Teste de memória (e geografia)

Teste de memória (e geografia)

Em um episódio de “Friends”, Chandler propõe uma brincadeira: escrever o nome dos 50 estados dos Estados Unidos. Joey, o mais burrinho, tira de letra: em instantes, aparece com quase 60 nomes... Ross, o mais “cabeção” (ele é paleontólogo), sorri com superioridade e começa a fazer sua lista. Empaca lá pelo número 46 e entra em desespero quando não consegue descobrir quem falta de jeito nenhum.

 

A versão brasileira da brincadeira não tem tanta graça – não é difícil pensar nos estados por região e lembrar de todos. Mas essa história me veio na cabeça no fim-de-semana passado, quando cismei de tentar fazer, de cabeça, a lista dos 39 (é, TRINTA E NOVE) municípios que compõem a região metropolitana de São Paulo.

 

Eu não sabia que eram tantos. Se me perguntassem, eu diria 19, 20, achando que estava chutando alto... Comecei a lista pelo ABC, com uma vantagem: como assinei o Diário do Grande ABC por um tempo, lembrava do caderno Sete Cidades – antes disso, nem tentaria pensar em sete nomes na região, me daria por satisfeita com cinco!

 

Acabei completando a lista, mas com auxílio externo. Como eu estava em uma palestra/debate sobre o assunto (região metropolitana), várias pessoas participaram com perguntas e comentários, e quando se apresentavam me “socorriam” sem querer: “Boa tarde, eu sou de ....” (não vou falar aqui para não dar moleza!).

 

E aí, quer tentar? Depois nos diga quantos nomes você conseguiu. Daqui a dois dias, publico a lista (para quem não for impaciente o suficiente para procurar no Google).

 

***

PS: Eu quase dei uma de Joey. Já ia escrevendo “Paranapiacaba”, quando lembrei que é distrito de Santo André...

 

PS2: Eu DEI uma de Joey. Acabei de conferir a lista na Wikipedia e descobri dois municípios que não estavam na minha lista! Agora tenho de ver quais foram os que incluí que não fazem parte. Afe.

 

PS3: Já não está fácil arrumar tempo para escrever no blog, e a internet da minha casa está dando pau DIRETO.

Escrito por Soninha às 09h08

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Ah, eu já sabia!

Juro que sabia!

Quando me perguntaram, no blog, um palpite para a semifinal da Libertadores, eu cravei um 2 X 2 na Bombonera. Durante o jogo, fiquei toda feliz: “Acertei! Que bom que eu escrevi no blog, senão ninguém ia acreditar depois”.

Aí me deu um estalo...  “Será que eu publiquei?”

Não. Eu não tinha publicado. Escrevi “offline”. “Aaaah, ninguém vai acreditar agora!”

E daí, né? Não tive mérito nenhum em acertar – não fui eu que fiz os gols, não fui eu que fiz as defesas do Fernando Henrique – mas queria ser reconhecida por isso. Como orgulho é uma coisa besta!

***
Preâmbulo para o próximo item – uma conversa de hoje de manhã:

- Se não fosse assim, não seria o Corinthians – disse um corintiano.
- Se não fosse assim, não seria o Botafogo!

Eu também sabia – mas com menos  “certeza” – que o Corinthians ia passar. Tanto é que, quando um corintiano me perguntou: “Que é que vai dar hoje?”, eu brinquei com ele: “Corinthians. Futebol não é justo”. O Botafogo tinha vantagem, tem mais time, o Corinthians estava lotado de ausências...  Mas o Botafogo, sei lá. Se acostumou tanto a se dar mal, que não estava mesmo com cara de mudar essa história agora.

Quanto tempo será que falta? O Santos andou assim por um tempo, e saiu gloriosamente com aquele time de Leão-Robinho-Diego-etc. A Portuguesa parecia condenada para sempre à viralatice complexada diagnosticada por Nelson Rodrigues, até que ganhou a Série A-2 do Paulista e subiu (e subiu no Brasileiro também).  O Botafogo patina, patina e cai... O título estadual de 2006 não foi suficiente para estufar o peito por muito tempo. Que coisa.

***
Eu ia escrever que “não foi suficiente para o Botafogo obter seu pedigree”, mas mudei de idéia. Vira-lata é tão legal! Taí, acho que o Botafogo, que sempre tem algum cachorro como mascote, precisa se assumir vira-lata, gostar de ser vira-lata, e botar pra quebrar. Sabe aquela coisa do corintiano “maloqueiro e sofredor”, que eles gritam com o maior orgulho? Funciona. O “sofrimento” os deixa mais animados para sair do buraco, e não mais cabisbaixos.

***

E o Nelsinho será adversário do Corinthians.
No final do ano passado, quem apostasse um centavo  que tanto um quanto outro estariam na final da Copa do Brasil em 2008 seria chamado de louco.

***
Eu também sabia que, se tivesse pênalti, o Edmundo perderia. Não, eu nem cogitei a possibilidade de haver pênaltis, mas sabia mesmo assim. Bom, eu e a torcida do Flamengo...

O karma do Edmundo com pênaltis é um dos mais negativos do mundo.

Mas não é só ele. Eu tinha certeza, antes de começarem as cobranças, que Cristiano Ronaldo perderia o dele na final da Copa dos Campeões. Por que? Porque é assim. Craque erra pênalti mais que os outros.

***
Futebol não tem justiça e não é convento, mas a gente não pode aceitar tudo como “parte do jogo”.  Sacanagem acontece em tudo quanto é lugar, mas a recepção ao time do Sport nesse jogo de volta extrapolou geral. E aí eu acabei pensando que foi  “justo” o resultado,  às custas da bola fora do Edmundo, porque o Vasco não merecia ir pra final por causa disso. Os jogadores e muitos torcedores não têm nada a ver com a bandidagem de alguns, mas infelizmente o ambiente no Vasco é mais favorável à truculência do que à tolerância, e os ânimos normalmente exaltados dos torcedores descabeçados encontram ali um bom terreno para crescer e se manifestar.

Escrito por Soninha às 16h33

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PERFIL

Soninha Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, 40, é vereadora de São Paulo pelo PPS e também colunista da Folha de S.Paulo.

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